Eliane Pinheiro Fernandes.

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https://tede2.pucsp.br/handle/handle/19923

ÉTICA DOCENTE

Publicado: 03/04/2017 em Reflexões

ELIANE PINHEIRO

 

As professoras e os professores não aceitam mais serem cobrados como messias, como sacerdotes do ato de ensinar/educar. Entretanto, podem utilizar desse estereótipo que rejeitam para defender-se das cobranças sobre sua prática pedagógica: para se eximirem das críticas, é comum os docentes se abrigarem na ideia de culpabilização, sofrimento docente, como se não se tratasse de uma escolha profissional, mas de boa vontade em atuar em uma área problemática que é a educação. Ou seja, docentes podem aceitar a alcunha de missionários quando convém.
Ora, se bons homens brancos, que amam e tratam bem as suas famílias e aos seus animais, são corteses com seus vizinhos… podem ser denominados racistas, portanto, opressores; se bons pais, trabalhadores, cumpridores das leis e das convenções sociais podem ser denominados machistas e portanto, opressores… por que não podemos dizer dos docentes que marginalizam, segregam, ignoram e violentam sutilmente os estudantes por meio de práticas discriminatórias contra minorias dentro da sala de aula, que são opressores? Temos que nos constranger a dizer que, dadas as dificuldades enfrentadas, não podem ser duramente criticados?
Não se trata de defender que não resta nada a ser feito fora dos muros da escola, que salários não precisam ser menos imorais, nem que a superlotação das salas não prejudique nosso desempenho, ou que os problemas sociais não atravessam a escola. Trata-se de nosso dever ético de denunciar práticas xenófobas, LGBTTIfóbicas, racistas, sexistas, desdenhosas das crianças e adolescentes que não se encaixam no padrão de bom aluno. Ou lutamos contra toda forma de opressão ou somos cúmplices corporativistas que se veem como uma classe trabalhadora à parte da classe trabalhadora de que fazem parte as famílias de nossos estudantes e seus filhos, a quem atendemos.
A denúncia a que me refiro não é de ordem pessoal, dirigida a um indivíduo. Mas a briga pela criação de espaços de discussão das práticas pedagógicas, onde, em comunhão, a gente vá se libertando. Mudando o mundo a partir da escola e na luta fora dela. É possível. Como diria Freire, “difícil, mas possível”.

AOS CORTADORES DE PONTO

Publicado: 24/03/2017 em Reflexões

 ELIANE PINHEIRO

Primeiro terceirizaram a limpeza. Mas eu não me importei com isso. Não sou da limpeza.

Em seguida terceirizaram a cozinha. mas não me importei com isso. Eu também não era cozinheira.

Depois terceirizaram a educação infantil. Mas não me importei com isso. Eu sou da rede direta.

Depois terceirizaram a docência. Mas não me importei com isso. Eu não sou professora.

Agora terceirizarão diretores e supervisores e colocarão Institutos e fundações em meu lugar. Mas como eu nunca me importei, ninguém se importa.

 

(Inspirado em INTERTEXTO, de Bertolt Brecht)

Citações de Jung

Publicado: 11/03/2017 em Reflexões

“Minha opinião é que as religiões se acham tão próximas da alma humana, com tudo quanto elas são e exprimem, que a psicologia de maneira nenhuma pode ignorá-las” (JUNG, 2011/1942, p. 15).

“Para a pessoa  que pensa, a dúvida é sempre bem recebida, pois lhe serve de preciosíssimo degrau para um conhecimento mais perfeito e mais seguro” (JUNG, 2011, p.  12).

“Há movimentos políticos que pretendem, e até com certa razão, ser psicoterapia em escala maior. Da mesma forma quue o desencadeador da guerra curou neuroses obssessivas  e os lugares milagrosos de há muito conseguem dissipar estados neuróticos, assim também os movimentos populares sejam eles grandes ou pequenos, podem ter efeito curativo sobre o indivíduo” (JUNG, 1981, p. 4).

“Minha relação com o mundo se prefigura, tal como ainda hoje persiste: continuo solitário, pois sei coisas que devo mencionar, e que os outros não sabem ou mais frequentemente não querem saber. […] Quando me encontrava só, […] sentia-me, então, digno e verdadeiramente homem. Procurava a tranquilidade e a solidão” (JUNG, 1963).

“Na família de minha mãe havia seis pastores protestantes. Meu pai e seus dois irmãos também eram. Ouvi portanto, inúmeras conversas religiosas, discussões teológicas e sermões. e eu dizia sempre comigo mesmo: ‘Sim, sim, tudo isso é muito belo… Mas e o segredo? O mistério da graça também é um segredo. Então não sabem que Deus quer que eu cometa também a injustiça para participar de sua graça?” (JUNG, 1963).

“As relações afetivas são relações de desejo e de exigências, carregadas de constrangimento e servidão: espera-se sempre alguma coisa do outro, motivo pelo qual este e nós mesmos perdemos a liberdade” (JUNG, 1963).

“Quando seguimos o caminho da individuação, quando vivemos nossa vida, é preciso também aceitar o erro, sem o qual a vida não será completa” (JUNG, 1963, p. 289).

“[…] As pessoas, hoje, se identificam frequentemente apenas com a consciência e imaginam ser apenas aquilo que conhecem de si próprios. Ora, toda pessoa que de leve suspeita o que seja a psicologia poderá facilmente imaginar que este saber é muito limitado. o racionalismo e a doutrinação são doenças de nosso tempo; pretendem ter resposta para tudo” (JUNG, 1963).

 

JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos e reflexões. 16 ed. Nova Fronteira: Rio de janeiro, 1963.

_____. A prática da psicoterapia. petrópolis: Vozes, 1981.

_____. Interpretação psicológica do Dogma da Trindade. Petrópolis; Vozes, 2011.

ALEX CASTRO

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Ilustração original de Flávia Tótoli

 

Imaginem uma pessoa que torce para o Flamengo.

No final do mês, o Flamengo vai disputar o Mundial de Clubes e a pessoa está eufórica, ansiosa, empolgada; passa o mês inteiro se preparando, pergunta para todo mundo: “E aí, vai ver o jogo onde? Quais são seus planos para a grande noite? etc”

No dia em si, se despede de todas as pessoas falando do jogo: “Boa sorte pro nosso mengão, hein? É hoje que vamos ser campeões do mundo. Bom jogo pra você! etc”

Finalmente, o Flamengo conquista a porra do título e a pessoa explode de alegria, sai na rua abraçando, agarrando, beijando todo mundo: “Conseguimos! Ganhamos! Somos campeões do mundo! Valeu! Valeu!”

Talvez vocês tenham algum amigo assim. Imagino que ele deva ser considerado o mala da turma: “Será que ele acha mesmo que todo mundo torce pro Flamengo que nem ele? Afe!”

Mas imaginem, de repente, que toda a sociedade é assim: seus amigos e seus pais, os anúncios na TV e as vitrines do comércio. Essa é a vida das pessoas que não celebram o Natal.

Uma vez, eu e um grupo de amigas estávamos passando uns dias em Ilha Grande e marcamos um passeio de barco. Na hora agá, o Alessandro Martins decidiu não ir, fomos sem ele e pronto. Mas não acabou por aí. Ao longo dos anos seguintes, ouvimos o Ale recontar essa história algumas vezes, mais ou menos assim:

“Foi mágico e importante esse momento de estar entre pessoas que eu gosto e que sei que gostam de mim, de cuja companhia eu gosto e que sei que gostam da minha, e, ainda assim, quando eu disse que não ia, ninguém hesitou, ninguém me encheu o saco, ninguém tentou me convencer, ninguém perguntou se eu tinha certeza, ninguém disse que eu ia me arrepender. Simplesmente aceitaram minha decisão de pessoa adulta. Parece pouco, mas é muito. Me senti tão profundamente respeitado que me dei conta de quantas e quantas vezes tinha sido desrespeitado em situações semelhantes. De como era comum as pessoas se darem ao direito de não aceitar nossas escolhas e de nos encher o saco até cedermos. Então, percebi que aquelas pessoas eram a minha turma, que era com elas que eu queria estar.”

* * *

Nossos costumes natalinos, essa festa ó-tão bonita, são um exemplo tanto da violência do discurso hegemônico quanto do narcisismo egocêntrico de nossas atitudes.

O discurso hegemônico, não satisfeito com sua hegemonia, ao invés de ser magnânimo e tolerante com os discursos minoritários que não lhe ameaçam, pelo contrário, se pretende unânime, colocando assim todas as pessoas que não partilham dele em posição automaticamente defensiva e constrangida.

Experimentem ser a pessoa, em um grupo de colegas ou parentes, que diz que não comemora o Natal ou que vai passar o Natal em casa, sozinha, uma noite como qualquer outra.

É assustador como essa opção é simplesmente intolerável para a maioria das pessoas à volta, que dizem coisas como “Não admito você sozinha no Natal, vem passar lá pra casa, é uma ordem!”, e afins, que só colocam a pobre pessoa que não celebra o Natal em situação ainda mais defensiva e constrangida, diante do terrível incômodo que sua escolha pessoal claramente suscita no grupo.

Alguém poderia perguntar: “Qual é o problema, ué? Afinal, quase todo mundo celebra o Natal. Ninguém está obrigando ninguém a nada!” Mas o narcisismo e a violência residem justamente nessa extrema normalização e normatização de nós mesmas: como somos a norma e o normal do mundo, se somos Flamengo, então todo mundo também é; se celebramos o Natal, então todo mundo também celebra.

Vivemos em um mundo onde o discurso religioso está por todos os lados, hegemônico, dominante, não-questionado.

As pessoas desejam “vai com Deus” umas às outras sem nunca perguntar se a outra acredita em Deus. Tribunais e escolas que deveriam ser laicos penduram crucifixos e celebram o Natal. Nas revistas da Turma da Mônica, temos um Anjinho e, ocasionalmente, Deus e santos, mas nunca um Golem ou um bodisatva. No Congresso, bancadas religiosas insistem em passar leis cujo fundamento é somente religioso, como se todas as pessoas brasileiras devessem viver sob a tirania da religião de algumas delas.

Apesar disso, ouço frequentes críticas ao exagero e ao radicalismo do discurso… dos ateus militantes. Mas, sob qualquer métrica possível e mensurável, o discurso religioso é muito mais radical e exagerado, muito mais hegemônico e predominante, do que qualquer coisa que os tais ateus militantes possam conceber. Esse ateísmo-gota-d’água só pode parecer “radical” e “exagerado” em oposição ao oceano-da-religião para quem naturalizou de tal maneira o discurso hegemônico religioso que não consegue mais ver que ele está por todos os lados, violentamente invadindo nossa subjetividade e nos vendendo sua ideologia a cada momento.

A questão não é quem está certo ou errado, se Deus existe ou não, se os ateus militantes estão corretos ou não em suas táticas de luta. A questão é que não faz sentido exigir o silêncio de quem já está na minoria marginalizada, interpelando o discurso hegemônico com todos os riscos inerentes a essa luta tão desigual.

Não faz sentido exigir o silêncio de quem já vive silenciado.

* * *

(Essa subseção é um trechinho do meu texto Elogio à liberdade de expressão.)

Aviso importante e necessário:

Esse não é um texto contra o Natal ou contra as pessoas que celebram o Natal.

Esse é um texto pedindo para que essas pessoas

1) lembrem que existem pessoas que não celebram o Natal e

2) nos respeitem.

Não deveria ser pedir muito.

* * *

Sobre a violência de nossas opiniões, leia a Prisão Conhecimento.

A conquista do direito a educação pública de qualidade sempre foi uma das reivindicações mais importantes dos trabalhadores brasileiros. Sempre tivemos consciência de que, se uma boa escola não resolve sozinha os problemas de um país , sem ela não construiremos uma sociedade democrática nem tampouco combateremos a histórica desigualdade social presente desde os primórdios do Brasil.
Se ainda não alcançamos a escola de nossos sonhos também é verdade que avançamos bastante na conquista desse direito. Conquistamos uma legislação que institucionalizou o acesso desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e, aos poucos, vimos aumentar o número de filhos dos trabalhadores nas universidades, inclusive com o advento de cotas raciais que minimizaram as barreiras para negros e índios alcançarem o nível superior.
Os novos atores do processo educacional trouxeram para as salas de aula a reflexão sobre problemas outrora esquecidos no currículo e no cotidiano escolar e o Brasil, com suas potencialidades e contradições, se encontrou na escola colocando para professores, alunos, o poder público e a própria sociedade a difícil tarefa de promover a inclusão de parcelas marginalizadas do povo brasileiro.

A contribuição das Humanidades e seu desprestígio na reforma do Ensino Médio

Reconhecemos não ter o monopólio do debate acerca das desigualdades na sociedade brasileira mas reivindicamos o mérito da História, da Geografia, da Sociologia e da Filosofia em focalizar, até por constituir os fundamentos das Ciências Sociais, a reflexão sobre a constituição e o caráter da sociedade brasileira e do mundo contemporâneo.
A redução e a exclusão das Humanidades no currículo do Ensino Médio, imposta pela MP 746, revela o verdadeiro objetivo da Reforma do Ensino Médio : terceirizar, privatizar e priorizar a formação de mão-de-obra barata para o mercado de trabalho e ainda reduzir a demanda e as possibilidades de acesso ao nível superior das camadas historicamente marginalizadas na medida em que, tanto o acesso – via vestibular – quanto a permanência na universidade requerem uma formação geral e um nível de informação técnica e cultural que instrumentalize o estudante e o futuro profissional a encontrar respostas para os problemas colocados pela revolução técnico-científica, seja qual for o curso escolhido.
Se, por um lado, não defendemos um Ensino Médio meramente preparatório para o vestibular também rechaçamos o caráter de terminalidade imposto pela MP 746, que empobrece o currículo da etapa e que tem como objetivo encaminhar grande parcela de nossa juventude para cursos técnicos aligeirados que atenderiam interesses imediatos do mercado de trabalho mas que formariam trabalhadores cujas tarefas/funções seriam rapidamente superadas pela revolução tecnológica.

Por que o aluno abandona o Ensino Médio ?

Alegando a intenção de enfrentar a evasão e a suposta falta de interesse dos jovens em relação ao Ensino Médio, o Governo Temer impõe, através da MP 746, uma falsa liberdade de escolha a alunos de 15 ou 16 anos que seriam obrigados a “escolher” uma área de estudo e a abrir mão de uma formação geral que passaria a não existir mais, pelo menos na rede pública.
O Ministério da Educação parece desconhecer a natureza da adolescência. Se para um jovem concluinte do Ensino Médio que deseja cursar uma faculdade já é difícil escolher uma carreira e é grande o número daqueles que desistem ou mudam de curso, imagina-se quando esta decisão é antecipada para o início da adolescência. Parece claro que será a senha para convencer os mais pobres de que a suposta empregabilidade, que seria proporcionada pelos cursos técnicos – ou seriam profissionalizantes implantáveis com menor recurso material e docentes com ”notório saber”? – substituiria um projeto de vida que passaria pelo curso e pela vivência universitária.
Boa parte de nossos alunos já frequentam cursos técnicos , profissionalizantes e outros itinerários de formação (cursos de idiomas, formação em atividades esportivas e culturais sistematizadas, entre outros) no contraturno. Se
para estes “privilegiados” qualquer redução do currículo já causaria prejuízo em sua formação ,para os outros que não tem estas oportunidades a “escolha” do que oferece o “novo Ensino Médio” da MP 746,empobrecido e aligeirado, será a única alternativa. Diminuir o tempo e a qualidade da etapa não a tornará “menos chata e desinteressante”, contrariamente ao que argumentam os defensores da Medida Provisória.
Se o ministro da Educação tivesse a prática e a preocupação de consultar alunos, pais e os verdadeiros especialistas em educação, os professores que estão nas escolas, poderia identificar que “além da chatice do curso e do desinteresse dos alunos” existem razões internas às escolas (falta e sobrecarga de trabalho dos docentes, ausência de laboratórios e espaços de lazer e cultura) e também na vida em sociedade : desemprego, violência, o imediatismo do consumismo e do individualismo , a desesperança no futuro, a desconfiança nas instituições.
Se aprovada, a MP 746 poderá agravar ainda mais a evasão e a retenção comprometendo o objetivo de elevar a escolaridade de nossos jovens e corroborando a naturalização da desigualdade social e a meritocracia.

O trabalho por Área de Conhecimento, a redução da carga horária e a exclusão de disciplinas

A MP 746 impõe a redução do tempo destinado a formação geral, ou seja, a “…carga mínima anual de 800 horas, distribuída em 200 dias letivos…” (artigo 24, I, da LDB), totalizando 2400 horas nos três anos letivos, seria reduzida para “… mil e duzentas horas de carga horária total do ensino médio, de acordo com a definição do sistema de ensino.”(MP 746, Art. 1º, § 4º ).
O texto, em acordo com os secretários estaduais de educação, reduz em 50% o tempo de contato dos alunos com as disciplinas hoje existentes e ainda delega a estes a organização por Áreas de Conhecimento, mantendo como obrigatórias nos três anos apenas Língua Portuguesa, Matemática e Inglês.
Além de Filosofia e Sociologia, a MP 746 exclui a obrigatoriedade de Artes e Educação Física. Diante das cobranças, o MEC afirmou que estas disciplinas poderiam ter espaço no currículo, a depender do entendimento da BNCC – Base Nacional Curricular Comum, a ser reformulada pelo MEC mas não alterou o texto da MP, mantendo sua possível implementação sujeita a vontade de cada secretário estadual de educação. Se hoje já temos apenas uma aula de Geografia, no Ensino Médio noturno da rede estadual paulista, imagina-se como ficará a situação com a redução em 50% do tempo destinado a formação geral.
Aliás, diferentemente do entendimento do Governo Temer, que reforça a fragmentação do conhecimento, entendemos “…que a organização por áreas de conhecimento não dilui nem exclui componentes curriculares com especificidades e saberes próprios construídos e sistematizados, mas implica no fortalecimento das relações entre eles e sua contextualização para apreensão e intervenção na realidade, requerendo planejamento e execução conjugados e cooperativos dos seus professores.”(CNTE;2016)
Protestamos contra a Reforma do Ensino Médio, na forma e nos termos ditados pela MP 746, que, combinados com a aprovação da PEC 241,representará um retrocesso nas conquistas de direitos ao serviço público e representam um duro golpe na luta contra a desigualdade social e na busca de uma educação pública de qualidade.
São Paulo, 15 de Outubro de 2016
Assinam este documento os seguintes professores da Rede Municipal de Ensino da Cidade de São Paulo:
Romildo Rodrigues, Marcelo Eduardo Pavan, Paloma Lacerda, Roberto Tiago, Ana Assunção, Jorge Messa, Vitor Hugo de Morais Ribeiro, José Flávio da Silva, Marcia Cristina de Oliveira, Eloiza dos Reis Soares, Ana Rosa Julião Xavier, Edson Luis Amário, Erickson de Almeida Soares, Lilian Pereira da Silva Freitas, Lucas Moço Leutwiler de Giacomo Oliveira, Telma Agripina de Souza, Jorge Perez, Roberto Henrique de Souza