ELIANE PINHEIRO FERNANDES

 

Apresentação

Apresentei esse relato de prática na Cátedra Paulo Freire na PUC-SP, no primeiro semestre de 2016. Depois que discutimos acerca dos conceitos freireanos presentes em minha prática, fui aconselhada pela professora Ana Saul a fazer uma parte mais teórica, na qual apontasse  que minha prática se justificava na teoria de Paulo Freire e considerasse a possibilidade de publicar o relato. Brincando, respondi-lhe que pensaria em escrever, sim. Mas que a mim bastava receber dela e de Alexandre  Saul, um carimbo de “professora freireana”. Sorrindo, me responderam que estava dado o carimbo.

Naturalmente, não há carimbo, nem carteirinha alguma para os que se identificam com a teoria de Paulo Freire, que obrigatoriamente não é teoria sem prática, mas práxis. Em Freire (2003, p. 22), não é possível separar essas dimensões: prática sem reflexão crítica é ativismo e teoria sem reflexão crítica é palavrório, blá-blá-blá. Mas fazer essa reflexão em comunhão, com colegas de profissão e de utopia é muito melhor que fazê-la só. E penso que, cada vez mais, professores e professoras deveriam revelar seus saberes de experiência feito, tal como suas dúvidas, seu inacabamento assumido não como palavra, como citação poética ou falsa modéstia, mas como atitude de quem não teme dizer que não sabe e que precisa de ajuda. Penso que as formações docentes seriam melhores se nos dispuséssemos a nos debruçar sobre nossas práticas sem medo de olhar para elas de forma crítica e amorosa, amparando-nos na difícil tarefa docente, acolhendo-nos, formando-nos, buscando em comunhão superar as contradições dentro da escola ou na luta organizada, fora dela.

No fim, acabei não escrevendo uma parte teórica justificando onde minha prática dialoga com Freire. Gostaria mesmo que, por meio desse texto, outras pessoas pudessem identificá-la, viva, em minha sala de aula. E além disso tudo, a teoria freireana não pretende ser manual, nem espécie de cânone a ser seguido, ao contrário. Pode e deve ser revista, ampliada, discutida. Só não pode deixar de ser, nunca,  um convite à práxis, nem perder de vista que é guiada pelo sonho de uma outra realidade, menos desigual, menos injusta, sonho de libertação. Sonho pelo qual nos movemos.

ENSINAR E COMPARTILHAR POEMAS (RELATO DE PRÁTICA)

 

Eu tinha, na verdade, desde menino, certo gosto docente, que jamais se desfez em mim. Um gosto de ensinar e de aprender que me empurrava à prática de ensinar que, por sua vez, veio dando forma e sentido àquele gosto. Umas dúvidas, umas inquietações, uma certeza de que as coisas estão sempre se fazendo e se refazendo e, em lugar de inseguro, me sentia firme na compreensão que em mim crescia de que a gente não é, de que a gente está sendo.

Paulo Freire

 

O presente trabalho trata-se de um relato de prática pedagógica e o objetivo é submetê-lo à análise e reflexão sobre as aproximações da ação com a teoria de Paulo Freire, ou, nas palavras do autor, fazer o movimento da práxis:

[…] Se os homens são seres do quefazer é exatamente porque seu fazer é ação e reflexão. É práxis. É transformação do mundo. E, na razão mesma em que o quefazer é práxis, todo fazer do quefazer tem de ter uma teoria que necessariamente o ilumine. O quefazer é teoria e prática. É reflexão e ação. (FREIRE, 1981, p. 145).

Sou docente da rede pública municipal de São Paulo, na qual atuo há 16 anos lecionando para turmas de ensino fundamental I. Desde fevereiro de 2016, sou educadora de uma turma de quinto ano, com crianças de 10 e 11 anos. A escola em que trabalho atualmente está localizada no bairro de Itaquera, zona leste da capital, bairro em que fui morar com minha família antes de completar o primeiro ano de idade. É o bairro também em que cursei o magistério, nos anos 1990, no Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM). Quanto à comunidade escolar, somos, os alunos e eu, filhos de pessoas com baixa escolaridade (Há exceções, obviamente refiro-me à maioria), pertencentes à classe trabalhadora, periféricos. Minha identificação com os estudantes da escola em que exerço a atividade docente não é um esforço em nome da ética: facilmente vejo-me neles, nossas histórias têm pontos em comum que naturalmente nos aproximam.  Daí que a expressão freireana de “libertação em comunhão” (FREIRE, 1981, p. 27) é não apenas um imperativo à superação da nossa situação de oprimidos, mas também resultado de nosso encontro amoroso; é comunhão para além da estratégia.

 E é a partir dessa concretude que passo a narrar um pequeno recorte de nosso caminho de formação.

Poema: deleite e conteúdo.

Todo mundo gosta de poesia, só não sabe que gosta.

Sérgio Vaz

Dentre as diferentes concepções de educação, situo-me entre os que consideram que há outras opções além do ensino bancário e da postura laissez faire; que não nos resta ter que escolher entre o ensino tradicionalista que não educa para a criticidade e a educação que se diz progressista, mas dicotomiza leitura crítica da realidade e ensino de conteúdos. Concordo com Freire (2001, p. 27) quando diz que

[…] é falsamente progressista a prática educativa que nega o preparo técnico ao educando e trabalha apenas a politicidade da educação. O domínio técnico é tão importante para o profissional quanto à compreensão política o é para o cidadão. Não é possível separá-lo. (Idem).

Daí que tenho uma preocupação com a escolha de quais conteúdos ensinar, de forma que nem os saberes dos educandos sejam desprezados, tampouco que os saberes formais sejam vistos como desnecessários. Que os conteúdos sejam ensinados, mas que não sejam apresentados como se fosse uma coisa neutra, sem nenhuma ideologia. Que os saberes científicos não sejam ensinados como superação dos saberes populares, numa tentativa de hierarquização de saberes.

Há uma expressão recorrente entre os estudantes: “Vida loka”, que é uma alusão à vida sem regras, cheia de aventuras, em que se arriscar é sinônimo de coragem. Na periferia, é comum referirem à pessoa que usa droga como “O cara é mó vida loka, a mina é vida loka”. Pode ser usada também como expressão de admiração a quem ganha algum dinheiro entregando drogas, fazendo a ponte entre traficantes e consumidores ou a quem ostenta roupas de marca, celulares, frutos de delitos. Na semana de planejamento de trabalho para o primeiro bimestre vi grafitado em um muro na estação de trem de Guaianases um poema de Sérgio Vaz a partir do qual decidi que ensinaria às crianças o gênero poema:

A vida é loka

Esses dias tinha um moleque na quebrada com uma arma

De quase quatrocentas páginas na mão.

Umas minas cheirando prosa,

Uns acendendo poesia.

Um cara sem Nike no pé

Indo para o trampo com o zóio vermelho

 de tanto ler no ônibus.

Uns tiozinho e umas tiazinha no sarau

enchendo a cara de poema

Depois saíram vomitando versos na calçada.

O tráfico de informações não para

Uns estão saindo algemados aos diplomas

Depois de experimentarem umas pílulas de sabedoria.

As famílias coniventes, estão em êxtase:

Esses vidas mansa estão esvaziando as cadeias.

A vida não é mesmo loka? (VAZ, 2015)

Conhecia outros poemas de Sérgio Vaz, mas não esse. A partir do incidente provocativo, decidi que iniciaria o ano letivo ensinando sobre o gênero poema. Debrucei-me sobre a sequência de atividades, a escolha de textos, os tempos e espaços que seriam necessários para as atividades.

Minhas intenções iniciais eram:

  • Que as crianças conhecessem e apreciassem poemas, compartilhando também os já conhecidos.
  • Que pudessem identificar o gênero “Poema” atentando para forma como é estruturado (Versos, estrofes, ritmo, rima).
  • Distinguissem sentido figurado e denotativo.
  • Que ampliassem o repertório e conhecessem diferentes poetas.
  • Que refletissem sobre a concepção de “falar certo” e “falar errado” e as variações linguísticas de nossa língua.
  • Que observassem o conteúdo da mensagem, a intencionalidade, que discutissem criticamente a partir do poema lido e fizessem inferências com outras situações ou contextos.

Temos o hábito de começar as aulas sentados em círculo: ouvimos e cantamos músicas, depois leio um texto literário e conversamos. Na primeira aula da sequência planejada, apresentei às crianças o poema Vida Loka. Alguns riram, outros pediram para eu ler de novo. Algumas crianças pareciam não familiarizadas com a expressão. Outros, contaram casos: de gente formada em curso superior, de tia que tinha bebido até cair e vomitado na calçada, de parente encarcerado, dos conselhos recebidos da família, da conversão do pai a alguma religião evangélica, gente que deixou de ser “vida loka”, gente que ainda era… Encerrada a roda de conversa, não tornamos a conversar sobre o poema lido.

Na aula seguinte, levei impresso o poema “Cidadezinha cheia de graça” (QUINTANA, 1978). Conversamos sobre a forma como texto era estruturado: mesmo sobrando espaço na linha por que as palavras eram escritas em outro parágrafo? Havia quem sabia o que era verso, estrofe, rima, ritmo e quem não sabia. As crianças realizaram atividades escritas, compararam o poema “Vida Loka” com “Cidadezinha cheia de graça”. Discutimos sobre quais temas poderiam inspirar um poema. Perguntei-lhes sobre o verso “Uns tiozinho e umas tiazinha”. Dialogamos sobre o que é “falar certo” e “falar errado”, sobre a norma da língua portuguesa e preconceito linguístico (embora não tenha nomeado esse tipo de preconceito com esse termo). Quando começaram a falar sobre as rimas, uma criança disse que parecia música. Outra garota me perguntou se música era poema, ao que respondi que ela deveria descobrir e me contar no dia seguinte.

Em outra aula, levei o poema de Alice Ruiz “Socorro não estou sentindo nada” e contei-lhes sobre um programa de TV em que a poeta diz como escreveu o poema e de como esse acabou virando música cantada por Arnaldo Antunes. Um estudante citou como exemplo os poemas “A casa” e “A foca”, de Vinícius de Morais, que também eram músicas. Apresentei às crianças a canção “Zumbi” cantada por Ellen Oléria, composta por Jorge Ben Jor. A escolhi não apenas pela beleza com que canta a música, mas por Ellen Oléria ser como as estudantes: negra, periférica e produtora de cultura.

Depois de ouvirmos a música, sentados no chão em círculo, começamos a conversar sobre a letra: Quem foi Zumbi? O que os versos “Vendo a colheita do algodão branco, branco, branco… sendo colhidos por mãos negras” e “Eu quero ver quando Zumbi chegar”, querem dizer? As respostas foram as mais variadas. Houve quem disse que Zumbi são pessoas mortas que ficam perambulando como se estivessem vivas e têm fome de cérebro. Algumas crianças associaram o feriado de 20 de Novembro a Zumbi dos Palmares. Umas três crianças contaram o processo de invasão e colonização do Brasil. Sobre Zumbi, só sabiam o nome e achavam que a data do feriado era sua data de nascimento. Contei-lhes a história de Zumbi desde sua infância, a existência dos quilombos e a luta dos negros e negras pela liberdade. Conforme contava a história, cantava trechos da música de Ellen Oléria e apresentava figuras impressas que ilustravam a história. As crianças ficaram bastante impressionadas com a figura de Zumbi como um herói, um homem poderoso e articulado.

Apresentei-lhes o mapa mundi para que localizassem a África e muitas crianças achavam que o continente era um país. Perguntei o que significavam as palavras “Angola, Congo, Benguela, Monjolo, Cabinda, Mina, Quiloa, Rebolo”. Responderam que eram países africanos. Pedi que algumas crianças se aproximassem do mapa para localizá-los. Por fim, as crianças perceberam que nem todos os nomes se referiam a países. Benguela e Monjolo, por exemplo, são cidades de Angola. Outros nomes não apareciam no mapa. O que seriam, então?  Retomei o verso da canção que diz “Dizem que nele há uma princesa negra que veio junto com seus súditos”. Conversamos sobre a origem das pessoas escravizadas. Expliquei-lhes que Mina, Quiloa e Rebolo eram etnias e que o próprio nome do país ou da província de origem identificava a etnia das pessoas escravizadas (PENA, 2008). Levei uma foto da atriz Taís Araújo vestida como rainha e imaginamos juntos, provocados pela imagem, como seria uma princesa negra. Como “lição de casa”, pedi aos estudantes que pesquisassem quem foi Dandara de Palmares.

No quarto dia da sequência, fizemos uma roda de conversa sobre Dandara e a percepção que as crianças têm das coisas, mais uma vez, me impressionou. Perguntei-lhes porque achavam que Dandara de Palmares é tão desconhecida, tanto nos livros de história quanto pelas pessoas com as quais convivemos. K., menina, prontamente respondeu-me: “Porque ela é mulher! As pessoas acham que só os homens é que podem ser heróis”. F., menino, em defesa dos homens, disse sorrindo “É porque os homens são mais fortes”. As outras garotas da sala reagiram, criou-se um falatório, todos levantavam a mão para falar.  N., menina, falou sobre machismo, usou a palavra “feminismo”. Uma estudante falou sobre a Lei Maria da Penha. Quando lhe perguntei como soube da lei, disse-me sem rodeios que é porque o pai batia na mãe.

Na aula seguinte, levei o poema “Tanta tinta”, de Cecília Meireles (2012). As crianças leram, num primeiro momento, individualmente. Depois lemos juntos. Fizemos uma pequena dramatização, mudamos o gênero do substantivo, falamos sobre “masculino e feminino”. Propus que grifassem as rimas, que indicassem os versos, as estrofes. Como “lição de casa”, pedi que pesquisassem outros poetas e escolhessem um poema para lerem ou recitarem para a classe na semana seguinte.

No dia do nosso recital as crianças apresentaram os poemas que escolheram. Dentre os autores, Carlos Drummond de Andrade, Manoel Bandeira, Jennyfer Nascimento, Cecília Meireles, Sérgio Vaz, Henriqueta Lisboa, Cora Coralina, entre outros. Por meio das crianças conheci outros poemas. Uma estudante arriscou escrever um pequeno poema para sua avó.

No sábado Mesmo depois de encerradas as atividades escolarizadas sobre o gênero, as crianças ainda trazem poemas escritos na última folha do caderno ou me mostram os livros de poemas que pegam emprestados na biblioteca da escola. Em novembro faremos um sarau com a presença das famílias.

Durante o processo, avaliei as aprendizagens e constatei que, além dos objetivos planejados, as crianças aprenderam:

  • Que cultura não é apenas o que é considerado clássico, erudito.
  • Que a África é um continente.
  • Que a história das pessoas negras não começa no navio negreiro, mas na África.
  • Que as pessoas negras não ganharam a liberdade, mas a conquistaram por meio de luta contra a escravidão.
  • Que há personagens femininas que marcaram a história.
  • A compreender que o machismo oprime as mulheres, que há lei específica contra os crimes de violência à mulher.

Referências bibliográficas

FREIRE, Paulo. A Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

_____. À sombra desta mangueira. São Paulo: Olho d’ água, 2001, p. 27.

MEIRELES, Cecília. Ou isto ou aquilo. São Paulo: Global: 2012.

PENA, Sérgio. Descobrindo a África no Brasil, 2008. Disponível em: < http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/deriva-genetica/descobrindo-a-africa-no-brasil&gt;. Acesso em 5 mai 2016.

QUINTANA, Mário. Prosa e verso. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.

VAZ, Sérgio. Vida loka. In: Geledés Instituto da mulher negra. s/d. 2015. Disponível em: <http://www.geledes.org.br/vida-e-loka-por-sergio-vaz/&gt;. Acesso em 3 mai 2016.

Citações de Piaget

Publicado: 12/06/2016 em Reflexões

Alguns trechos que gostei, lendo a biografia e autobiografia de Jean Piaget no outono de 2016.

“Algumas palavras mais sobre a origem da criatividade. No percurso da minha vida, tenho criado uma ou duas idéias e quando reflito sobre suas origens, penso que existem três condições. A primeira é trabalhar sozinho, ignorar qualquer um e suspeitar de qualquer influência de fora. Quando era estudante, tive um professor de física que dizia: “Sempre que você começar a trabalhar em um novo problema, não leia e leve em conta o que tem sido escrito sobre o assunto, fazendo as correções que julgar necessárias”. Temo ter levado o conselho muito a sério, isto é, devo ter lido muito pouco. Mas para consolar-me, ou deixar de lado qualquer sentimento de culpa que possa ter, gosto de pensar na fala de Freud: “A maior punição que a divindade envia para alguém que escreve é ter de ler os trabalhos de outros”. A segunda condição que acho necessária é ler uma grande quantidade de coisas em outras áreas, e não apenas ler trabalhos da própria área. Para um psicólogo, por exemplo, é importante ler biologia, epistemologia, lógica, para que se possa promover uma visão interdisciplinar. Não ler somente no seu próprio campo, mas ler muito nas áreas próximas e relacionadas.

E um terceiro aspecto, e aí penso em meu caso, é que sempre tive na cabeça um adversário, isto é, uma escola de pensamentos cujas idéias algumas pessoas consideram erradas. Talvez cometa injustiças e as deforme tornando-as adversárias, mas sempre tomo as idéias de alguém como um contraste.
Meus principais contraditores são os positivistas lógicos ou empiristas. Eles têm sido meus adversários por toda a vida. Por exemplo, a atividade do sujeito, o sujeito do conhecimento, é minimizada no positivismo lógico, embora do meu ponto de vista a atividade do sujeito seja realmente o centro do desenvolvimento da inteligência.

A meu ver, conhecimento é uma estruturação da realidade, e não simplesmente uma cópia. O desenvolvimento da inteligência não é simples questão de associações empíricas, mas uma construção por parte do sujeito. Então, como disse, em todo o meu trabalho o adversário tem sido o empirismo e o positivismo lógico. Posso não ser importante para o meu adversário, mas ele tem um papel importante para mim”.

Disponível originalmente em : http://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/criatividade/

Traduzido do francês por Mario Elvira Bellotto

“A psicologia moderna renunciou, como sabemos, à noção de faculdade, i. e., à crença que o espírito está repartido em “compartimentos” separados por divisórias estanques, um compartimento para o saber, um compartimento para o sentir, um compartimento para a vontade. A psicologia moderna renunciou até a caracterizar seu objeto pela consciência.

Ela é um estudo das condutas, condutas que, bem entendido, inclui a consciência, mas, que são mais amplas que a própria consciência. Podemos, por exemplo, estudar a inteligência animal, ou a inteligência do bebê, dos quais nós não sabemos nada sobre seu grau de consciência, nós nos baseamos, simplesmente, sobre suas condutas.

Porém, toda conduta é, simultaneamente, conhecimento e afetividade. Não se pode conhecer a conduta sem um ou outro desses aspectos.

Por exemplo, o raciocínio matemático que parece o modelo de uma conduta puramente intelectual, é, na realidade, pleno de sentimentos: deve interessar, é preciso esforço, há prazer, pena, sentimentos de harmonia, de estética etc.

No outro extremo um sentimento amoroso pressupõe elementos cognitivos: elementos de percepção, discriminação, de compreensão etc.

A afetividade e o conhecimento são, então, dois aspectos indissociáveis de toda conduta”.

Disponível originalmente em: http://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/definicao-de-inteligencia/

Tradução de áudio em francês, por Vicente E. R. Marçal.

Lawrence Kohlberg

 

ABSTRACT This arldress starts by explaining the educational philosphy of John Dewey. In this context, the central aims of education are cognitive and moral development. In a pluralistic society, the teaching of morals poses a grave problem and gives rise to a belief in moral and ethical relativity. This address proceeds to show what is wrong with ethical relativity conceptions and to show that the developmental-philosophic strategy is the only clear non-relativistic strategy for educationai aims. The school’s major conscious aim is seen as academic achievement as defined by tests and grades. According to Dewey, an educational experience which stimulates development is one which arouses interest, enjoyment and challenge in the immediate experience of the student. From the progressive or cognitive-developmental perspective, insofar as behavior changes are of reversible character, they cannot define genuine educational objectives. Central to the progressive approach is the longitudinal perspective, the perspective that the worth of an educational effect is to be determined by its effects upon later behavior and development. (CK)

Speeches have to start with a joke or a reading from the Bible. Since I don’t know any good moral jokes I’ll start with a reading from the Bible, the Bible of education. Sometimes my moral education sermons start with a reading from the Old Testament of Education, Plato’s Republic, but today I’ll start with a reading from the New Testament of Education, delivered to John Dewey in 1895. It startsz “The educative process can be identified with growth or development not only physically but intellectually and morally. It goes on:

. . .we may say that every teacher requires a sound knowledge of ethical and psychological principles. Only psychology and ethics can take education out of the rule-of-thumb stage and elevate the school to a vital, effective institution in the greatest of ell constructions — the building of a free and powerful character. Only knowledge of the order and connection of the stages in the aevelopment of the plashicaLfunctions can insure the full maturing of the psychical powers. Education is the work of suvolving the conditions which will enable the psychical functions, as they successively arise, to mature and pass into higher functions in the freest and fullest manner.

Let me paraphrase this text — First, true education is not teaching; it is supplying the conditions for development. Second, development is not just the catch-all phrase of child psychology textbooks, development is defined by a psychology of invariant ordered sequential stages. Third, development is defined not solely by psychology, but by philosophic ethics and epistemology. Fourth, as a result, the central aims of education are cognitive and moral development, with moral development a free and powerful character being the ultimate touchstone of education. Fifth, moral character is not confor ity to, or internalization of cultural norms; moral development iA freedom, not bondage.

Today I want to suggest how we trying to put Dewey’s abstruse preachment into very concrete practice. In doing this I shall present a view of what developmental psychology potentially can contribute to education. In my view, this potential contribution is r volutionary — it goes far beyond the presentation oi a bundle of facts about child behavior useful for teachers to know. Once understood, the basic findings of recent develop ental psychology are revolutionary because they redefine the school’s aims and its methods for meeting these aims. While I am claiming that recent work in developmental psychology can revolutionize the schools, the revolution is really Dewey’s old revolution which never really took place in the thirties.

While I may be pesumptuous to speak as an elder about educational history, I like to think I got a head start in educational history by being a student in the late forties at the University of Chicago, the place where all the educational revolutions started or almost gtarted.

 I became intensely interested in educational ideology as an undergraduate at the University of Chicago in the late forties, partly because I needed to be educated and partly because of Hutchins. At that time, in Chicago, the issue was the Hutchins worship of the eternal Platonic ideas of Western man versus Dewey’s pragmatism. While all Chicago undergraduates learned that the truth lay with Plato and Aristotle, we were all forced to read Dewey rrefu1l.y. And while we all believed that education should really be the transmission of the great ideas of Western man, not pragmatic, we all could see that Dewey ideas about education were great. If your measure ef ideas about education is the sta,ndrd set by Plato and Aristotle, then you know that there was only one modern thinker about education th taking seriously and that was john Dewey.

taking seriously and that was john Dewey. ,AinA, I ted my interest from tion to clinical and child psychology, in thoc-, dominated by adian thought. nowever, I stumbled across Piaget, who in those days was not part of the psychology curriculum. When I started reading Piaget, I said “Of course,” because I had already learned to understand Dewey. I later found out that there w re two great American developmental psychologists, both primarily philosophers, John Dewey and James Mark Baldwin. While American psychology had ignored both men, a man named Claparede in Switzerland was heavily influenced by both of them. Claparede at Geneva founded an institute of developmental psychology and pedagogy, based upon what Dewey and Baldwin called the functional-genetic appronoh. Clnpascd a a brillisnt student, Piaget, to whom he turned over this institute. And Piaget developed the general promises of Dewey and Baldwin into a science of great richness and of logical and empirical rigor.

One of the areas in which Piaget had developed the basic insights of Dewey and Baldwin was the area of moral develop_ nt. This area Piaget’s work attracted me greatly. As a clinical psychologist, I could see the importance of the area but the way in which clinical psycholo ists handled it seemed grossly inadequate. To label moral velopment “the superego fo mation” seemed intellectually and philosophically naive. Those same cli.ical psychologists who discussed with great earnestness the ethical limits of directive th. apy, would turn around and label sImIlar ethical concerns in their patients a “rigid superego. In any case, starting with Piaget’s exploratory work, I began a fifteen-year study of moral develosment, and of some of its roots in Piagetian cognitive development. Starting with an interest in moral stage psychology and philosophic ethics over 20 years I have moved down the primrose path to what I think is the end of the line in tak Dewey seriously. We are now planning what we hope will be “a vital and effective institution in the greatness of all constructions, the building of a free and powerful character.” It happens not to be a school but a reformatory which we see as an institution for moral education. Partly we’ve gene to prison because all the school systems we have approached are afraid to take Dewey’s ideas seriously. Prisons are o willing to listen to ideas because they know they are failures; they know they are not serving their function of reducing crime While schools still think they are educating. Prisons know they are failures because they have more realistic notions of success and failure than do schools. They consider their Reformatory dropouts successes. Their failures go on to higher learning at what the inmates call the college, the state prison. In contrast, high schools and colleges count their dropouts as failures their successes get Ph.D.s.

I’ll talk a little later about how realistic the school’s criteria f success is. But I want to spend only as much time in negative criticism of the schools as is necessary to convince you that we need radi-ally different definitions of educational aims, of concepts of what schools are for, than those now used, and that research educational psychology must create these definitions. The strategy educational psychology must use to do this I will claim, must be Dewey’s developmental7philosophic strategy for defining the aims of education. This label, developmental-philosophic, is meant to connote the union of the study of universal stages of development with philosophic definition of development in terms of universal ethical and epistemological principles. To justify this strategy, I will have to save you today from the common sin or error of most psychologists, the error of believing in valuerelativity. As an example of this error let me cite Berkowitz’ textbook definition of morality. Moral values are evaluations of action believed by members of a given society to be right,” In the early 1900’s psych-analysis and other popular psychologies challenged Victorian moralism by claiming that conscience was the internalization of arbitrary standards, the superego, and that men had no wills, only needs and counter-needs. As 1 shall document today, these popular psych lo y beliefs are now taken for granted by sophisticated high school students who then complain of a malaise called identity-diffusion, lack of will, or lack of commitment to values. Luckily, psychology is the disease of which it is the cure. Today I shall report the psycholocrical cure of the psychological disease, the psychological finding of motel universals, and conclude that the disease was never based on science; it was only one more piece of bad philosophizing by psychologists. In showing what is wrong with ethical relativity conceptions, I shall also try to show that the developmental-philosophic strategy is the only clear non-relativistic strategy for educational aims. Finally, I shall try to show that relativity is the fatal logical flaw in what I call the human engineering or industrial psychology approach to defining educational criteria which has dominated most educational psychology practice.

In talking about human engineering or industrial psychology approaches to educational psychology, I mean fundamentally a focus upon the research study of means and methods of educational teaching and testing under the assumption that the aims of education are given by one’s client, the school system. In the early 1900’s ducational psychology had two choices, the path of Dewey’s developmental-philosophic approach or the path of Thorndike’s industrial psychology or human engineering approach. Partly because educational psychology chose Thorndike’s industrial psychology path, Dewey’s proposed transformation of the schools into just institutions stimulating development never really took place. Educational psychology’m coutrlbution to the justice of the school at that time was the stand4rdized achievement test marked on a curve. The particular relativistic fella y involved in this is indicated by Ed Zigler’s comment that the vision of justice of Head Start and other compensatory projects is the vision of getting the entire country above the 50th percentile on achievement tests. Incidentally, wIth all credit to Ed Zigier, Dewey made the same comment in a 1922 article in The Nation, As we all know, the schools jor conscious aim is academic achievement as defined by tests and grades. Educational psychology’s improvement of the aim was the creation of the achievement test, based on an industrial psychology rationale of marking on an arbitrary curve to predict to an arbitrary criterion. Luckily industrial psychology eventually provides the data to cure itself, After reviewing the major predictive or longitudinal studies, Mayer and myself concluded: “School achievement seems to relate to later success because it is associated with, or rides on the back of, intelligence and s cial class without independently contributing to life adjustment, as measured by occupational or economic success or by absence of crime ental illness, une ployment or ratings of life adjustment.” “Advocates of academi readiness have confused success in school with success in life.” “In terms of future job success, high school dropouts do as well as graduates who do not attend college; high school graduates wit’a poor achievement scores and grades do as well as those with good scores; and college graduates with poor gtades do as well as those with good grades.”

So thoroughly ingrained is the human engineering or industrial psychology approach in educational psychology that the failure of the schools is percetved as a failure in its methods, not its aims. The most cited document on the failure of the schools is the Coleman report. Its basic conclusion Is that the schools have failed to develop methods to raise achievement test scores for the disadvantaged; it never questioned the worth of achievement scores as criteria of education’s aims in the first place.

If one’s educational aims are correct, the methods will follow. I probably du not need to stress to this audience the primary finding of American educational psychology, the finding that educational methods don’t vary much in across-the-board efficiency. Study after study of method A versus method B indicates no difference or little difference. The reaction of educational psychology to these findings has been to look for more complex interaction between methods and teacher or pupil characteristics, so far a hunt that has not led us far. My reactIon would be that educational psychology would contribute more.to society by investing more effort in defining sensible aims than in honing methods for questionable aims.

Besides the industrial psychology approach, another basic strategy used by educational psychology to define educational aims, especially non-cognitive ones, is the mental health trait strategy. Based on the pose of ethical relativity, it replaces moral terms with personality traits with supposed mental-health value. Its empirical effectiveness is summarized in the Kohlberg and Mayer paper as follows:

The current emphasis on mental health traits — exemplified by Head Start objectives for instance — can’t be substantiated on the basis of existing longitudinal research. Admirable as these traits may appear to be, they have failed to show any predictive value for adult ‘life adjustment.’ At the moment there is no evidence that a psychiatrist or psychologist can pick out preschool or elementary children who will have adult mental health or adjustment problems (aside from the few severely retarded, brain damaged or autistic children). Most studies show that three-quarters of the children diagnosed as needing treatment and receiving it get better, but so do three-quarters ot the control children diagnosed as needing treatment but not receiving it. . .

The Kohlberg and Mayer paper primarily stresses the empirical tact that the only good long-range predictors of adaptive features of personality and cognition are measures defined in terms of trends and sequences of age devel pm–t. Since neither achievement measures nor mntml ,+mslo.Arer; are developmental, neither are predictive over ,-.0e or to really new settings. Today I wish to stress the philosophic failure of the value-relstivity soaumptions behind a hievement and mental health trait conceptions of educational aims. To clarify the issues of relativity in the non-cogniti e area, let us start b’r zecognizine that the basic non-cognitive aims of the sense or another moral education aims.

While moral education has stantly do it. They tell kids are n one f0ing sound, all teachers congnat to do, make evaluations of children’s behavior, and direct chilruen’ s relations in the classrooms. Sometimes teachers do these *tangs without being aware that they are engaging in moral education; but the kids sr* of it. As an example, my second grade son told me that he 81,1 bad boys?” he replied, “the ones who don’t boys. Asked 000ks back where they belong and get yelled at.” His teacher w uld have been surprised to know that her concerns with cla sroom management defined for her children what she and her school thought were basic mor l values, or that she was engaged in value-indoctrination.

Most teachers are more a are that they are teaching values, like it or not, and are more con_e- ed as to whether this teaching is unjustified indoctrination. In particular, they are uncertain as to whether their own moral opinions should be presented as ‘moral truths,” whether they should be expressed merely as personal opinion, or should be omitted from classroom discussion entirely. As an example, an experienced junior high school teacher told us, “My class deals with morality and right and wrong quite a bit. I don’t expect all of them to agree with me, each has to satisfy himself according to his own convictions, as long as he is sincere and thinks he is pursuing what is right. I often discuss cheating this way but I always get defeated, because they still argue cheating is all right. After you accept the idea that a kid has the right to build a position with logical arguments, you have to accept what they come out with even though you drive at it ten times a year and they still come out with the same conclusion.” This teacher’s confusion is apparent. She believes everyone should “have their own ideas” and yet she is mpst unha py if this leads to a point where some of these ideas include the notion, “It all right to cheat.” In other words, she IS Smack up against the-Problem of relativity of valUes in moral education.

Now this morning I’m going to solve this teacher’s problem for you. Ne will attempt to demonstrate that moral education can be free from the charge of cultural relativity and arbitrary indoctrination which inhibits this teacher when she talks about cheating. Zefore I solve it for you, I want to reject a few copouts or false solutions sometimes suggested as solving the relativity problem. One is to call moral education socialization. Writers like Phil Jackson and Bob Dreeben Ive claimed that moralization in the interests of classroom management and naintenance of the school as a social system is a hidden curriculum, that it performs hidden services In helping children adapt to s-ciety (Jackso 1970). They have argued that since praise and blame on the part of teachers is a necessary aspect of the “socialization” process then the teacher does not have to consider the psychological and philosophical iSsues of moral education. In learning to conform to the teacher’s expectations and the school rules, the child is becoming “socialized”; he is internalizing the norms and standards of society. I have argued at length (Kohlberg, 1970) that this approa a copout to relativity as clarifying educational aims. In practiCe it means that we call the teacher’s yelling at kids for not puttiAg their books away “socialization.”

You will recognize that the ‘problem raised is one which goes beyond moral education. It is the problem of the perspective of social relativity implied Ln the whole industrial psychology approach to the sch It says, “Since values are relative and arbitrary, we might SS Well take the given values Of the society and schopl as pur starting point and adapt the child to them.” Thus Bere ter and Engelma 1966) say:

In order to use the term cultural deprivation, it is necessary to assume some point of reference. . The standards of the American public schools represents one such point of reference. 0There are standards of knowledge and ability which are consistently held to be valuable in the schools, and any child in the schools who falls short of these standards by reason of his particular cultural background may be said to be culturally deprived. (p. 24)

The Bereiter and Engelmann preschool model, then, takes as its standard of value “the standard of the American public schools.” It recognizes that the kinds of learning prized by the American public schools may not be the most worthwhile kinds. But it accepts the arbitrariness because it assumes that “all values a e relative,” that there is no ultimate standard of worthwhile learning and development so we should settle for getting the child to conform to and make it in the system.

The second major copout from the relativity problem is defining moral values in terms of what I called the bag of virtues. By a bag of virtues I mean a set of personality traits generally considered to be positive. For Hartshorne and May (1928) the traits included honesty, service and self-control For Havighurst and Tael7a (1949), they included honesty, loyalty, respensibility, mor41 courage and friendliness. Aristotle’s early-bag of virtues included temperance, liberality, pride, good temper, truthfulness and justice. The Boy Scout list is well-kn On — a scout should be honest, 1 yaL reverent, clean and brave.

The attraction of such an approach is evident. Although t is true that people often cannot agree on details of right and wrong or even on fundamental moral principles, we all think such “t ait ” as honesty and responsibility are good things. By adding enough traits to the virtue bag, we eventually get a list which contains something to wait everyone.

As can be seen from the different lists of virtues mentioned, one difficulty with this approach to moral character is that everyone has his own bag. However, the problem runs deeper than the composition of a given list of virtues and vices. Vague consensus on the goodness of these terms conceals a great deal of actual disagreement over th definitions. What is one man integrity” is another man’s “stubbornness,” what is one man’s honesty in “expressing your true feelings” is another man’s insensitivity to the feelings of others. This is evident in controversial fields of adult behavior. Student protesters, view their behavior as reflecting the virtues of altruism, idealism, awareness, courage. Those in oppo ‘ti n regard the same behavior as reflecting the vices of irresponsibility and disrespect for “law and order.”

As I have documented elsewhere, all the king’s horses and all the king’s men of t Itothodology and factor analysIs have done little to make the virtue words objective. You can’t make up good tests of relativistic value concepts. Let me cite an example from the Stanford Research Institute study of the non-cognitive effects of Follow-Through. Falling into the bag of virtues strategy for avoiding facing hard issues of value-conflict and value-relativity, minority group educators listed increasing ethnic pride as a salient objective of Follow-Through. To measure ethnic pride, FRI made up an ethnic pic ures test. The Follow-Through child was asked to oicIt a black, chicano. or white pictured child as the one who was smartest best liked, best looking or generally best. In other words black child scored high in ethnic pride if he thought blacks were always smartest, mnst likeable, etc.

The results SRI found were that the Follow-Through group who increased the most in ethnic pride were the white children. That finding suggests that the ethnic pride measure was just another measure of race prejudice. One man’s integrity is another man’s stubbornness; a black man’s race pride is a white man’s race prejudice. Undoubtedly, test could have been made up which at lee_st tried to distinguish btween pride and prejudice, but if Jane Austen couldn’t do It, why think SRI could? As the Follow-Through example suggests, the use of the bag of virtues, and its failures, go far beyond What is usually c nsidered a education. A mental health rather than a moral bag of virtues is the approach to non-cognitive aims that comes most naturally to American educato s. For instance, it is embodied in the Head Start list of objectives derived from “a panel of authorities on child development.”

The first is: Helping the emotional and social development of the child by encouraging self confidence sp ntaneity curiosity and self discipline.

From the developmental perspective, to operationalize the aim of helping the emotional and social development of the child” would require that the general liles of the child’s ego development be logically and empirically c%arted, and that the preschool changes which facilitate ‘t be discovered. However, the autho.-tdes already know T;nat it means to stimulate social or ego development: ‘t means increasing a set of traits called self confidence, spontaneity, curiosity and self discipline. Maw all these words sound nice, but one wonders whether promvilng self discipline and promoting spontaneity Etr. 0i-b4 Ither, or whether either has any Emytyvabic t’ouscquences for later development. As said earlier, the longitudinal research suggests they don’t.

We have summarized three copouts from the relativity problem and rejected them. We found that soc lization, teaching positive values and developing a bag of virtues all left the teacher where she was stuck with her own personal value standards and biases to be imposed on kids. There is one last copout to the relativity problem. That is to lie back and enjoy encour ti– ‘t. In the new social studies this is called value-clarifica

As summarized by Engel (1970) this position holds that: In the consideration of values, there is no single correct answer but value clarification is supremely important. This is not to suggest, however, that nothing is ever inculcated. As a matter of fact, in order to clarify values, at least one principle is: in the consideration of values there is no single correct answer.

An elaboration of this approach in one curriculum is entitled “Why don’t we all make the same decisions?” A set of classro m materials and activities are then presented to demonstrate to children the following propositions:

A. we don’t all make the same decisions because our values are different,

B. Our values tend to originate outside ourselves.

C. Our values are different because each ef us has been influenced by different important others; each of us has been influenced by a different cultural environment.

The teacher is told to have the children discuss moral dilemmas in such a way as to reveal these different values. As an example one child might make a moral decision in terms of avoiding punishment another in terms of the welfare of other people. The children are then to be encouraged to discuss their values with each other and to recognize that everyone has differe t values. Whether or not “the welfare of others” is a more adequate value than “avoiding punishment” is not an issue to be raised by the teacher. Rather, the teacher is instructed te teach only that “our values are different.”

Acceptance of the idea that all values are relative does, logically, lead te the conclusion that the teacher should not attempt to teach any particular moral values. This leaves the teacher in the quandary of our teacher -who couldn’t successfully argue against cheat’ing. If one ef his students has learned his relativity lesson, when he is caught cheating, he will argue that he did nothing wrong. His own hierarchy of values made it right to cheat. In criticizing the approach I again need to point out that it goes beyond moral or value education as such. Much psychological and affective education, many sensitivity and encounter groups, are designed to clarify the self’s true value and feelings and to create ah atmosphere which says “What’s right is to do your ewn thing whatever it is as long as it is A sally yo f If youself.

Now I am not criticizing the value-clarification approaches as a procedure. iJy point is rather that value-clarification is not a sufficient solution to the relativity problem. Furthermore, the actual teaching of relativism is itself an indoctrination or teaching of a fixed belief, a belief chich we are going to show is not true scientifically or philosophically (Kohlberg, 1971).

In other words, I’m happy to report that I can save you today from the relativity problem that has plagued philosophers for 3,000 years. I can say this with due modesty because it didn’t depend on b ing s t. It only happened that my colleagues and I were the first people to do detailed cross-cultural s udies of the development of moral thinking. To clarify just what the issue is I will read you a dilemma we have used ard would like you to decide whether it is objectively right or wrong to steal the drug:

In Europe, a woman was near death from a very bad disease, a special kind of cancer. There was one drug that the doctors thought might save her. It was a form of radium that a druggist iy1 the same town had recently discovered. The drug was expensive to make, but the druggist was charging ten times what the drug cost him to make. He paid $200 for the radium and charged $2,000 for a small dose of the drug. The sick woman’s husband, Heinz, went pz) everyone he knew to_borrow the money, but he could only get together about $1,000 which is half of what it cost. He told the druggist that his wife is dying, atd aeked him .to sell it cheaper or let him pay later. But the druggist said, “No-, I discovered the drug and I’m:going to make money frot Heinz got desperate and broke into the man’s store to steal the drug for hie wife,

Should the husband have done that? Was it right or wrong? your decision that it is right (or wrong) objectivOy right, is morally universal, or is it your personal opinion? If you think it is morally right to steal the drug, you must face the fact that it is legally wrong. What is the basis of your view that it is morally _ight then, more than your personal opinion? Is it anything which can be agreed upon? 44 you think so, let me report the reqults of a National Opinion Research Survey on the question asked to a representative sample of adult Americans. Seventy-five percent said it was wrong to steal, though most said they _ight do it.

Can one take anything but a relativist position on the question? By a relativist position I mean a position like that of Bob, a high school senior.

He says: “There’s a million ways to look at it. Heinz had a moral decisi n to make. Was it worse to steal or let his wife die? In my mind I can either condemn him or condone him. In this case I think it was fine. But possibly the druggist was working on a capitalist morality of supply and demand.” (I went on to ask Bob, “Would it be wrong if he didn’t steal it?”)

Bob replies, “It depends on how he is oriented morally. If he thinks it’s worse to steal than to let his wife die, then it would be wrong what he did. It’s all relative, what I would do is steal the drug. I can’t say tha s right or wrong or that it’s what everyone should do ” But if you agree with Bob’s relativism, you may not want to go as far as he does He started the interview by wondering if he could answer because “he questioned the whole terminology, the whole moral bag. He goes on, “But then I’m also an incredible moralist, a real puritan in some sense and moods. My moral judgment and the way I perceive things morally changes very much when my mood changes. When I’m in a cynical mood, I take a cynic I view of morals, but still whether I like it or not terribly moral in the way I look at things. But I’m not too comfortable with it.” Bob’s moral perspective was well expressed in the late Joe Could’s poem called “My Religio ” Brief and to the point, the poem said, “In winter I’m a Buddhist, in the summer _ a nudi t.” Bob was in psychoanalysis. Now Bob’s relativism rests on a confusion. The confusion is the confusion between relativity as the social science fact that different people do have different moral values and relativity as the philosophic claim that people ought to have different moral values, that no moral values are justified for all men.

To illustrate, I will quote a not untypical response of one of my graduate students to the same moral dilemmas. She says, “I think he should steal it because if there is any su h thing as a universal human value, it is the value of life and that would justify it.”

I then asked her, “Is there any such thing as a universal human value?” and she answered, “Wo, all values are relative to your culture.”

She starts out by claiming that one ought to act in terms of the universal value of human life, implying that human life is a universal value in the sense it is logieal and desirable for all men to respect all human life, that one can dem nstrate to other men that it is logical and desirable to act in this way. If she were c ear in her thinking she would see that the fact that all men do not always act in terms of this value, does not contradict the claim that all men ought to always act in accordance with it. Because she makes this confusion she ends in total confusion. What I mm going to claim is that if we distinguish the issues of universality as fact, and the possibility of universal moral ideal we get a positive answer to both que tions. In the first place, basic moral values don’t come from the outside, from the culture. From the age of four my son joined the pacifist and vegetarian mov :_ent and refused to eat meat because, he said, it’s bad to kill animals. In spite of his parent’s attempts to dissuade him by arguing about the difference between justified and unjustified killing, he remained a vegetarian for six months. However, he did recog ize that same forms of killing were “legitimate.” One night I read to him from a book about Eskimo life which included a description of a seal-killing expedition. While listening to the story he became very angry and said, “You know, there is one kind of meat I would eat, Eskimo meat. It’s bad to kill animals so it’s all right to eat them.”

This episode illustrates (1) that children often genera e their own moral values and maint in them in the face of cultural training, and (2) that these values have universal roots. Every child believes it is bad to kill because regard for the lives of others or pain at death is a natural empathic response, though it is not necessarily universally and consistently maIntaIned. In this mple the value of life led both to vegetarianism and to the desi e to kill Eskimos. This latter desire comes also from a universal value tendency: a belief in justice or reO,ProCity here expressed in terms of revenge or punishment (at higher levels, the belief that those who infringe upon the rights of others cannot expect their own riYhts to be respected).

I quoted my son’s responses because it is both shockingly different from the way you think expressed in the idea that it is a low -tage, and yet it has universal elements you will recognize. Recognizing both the universal and the di fere t you will see that moral development is largely a process of stage restructuring of universal human tendencies of empathy (concern for the welfare of others) and justice (concern for equality and reciprocity) in more adequate forms. This restructuring occurs in the form of six culturally universal stages presented in Table 1. The universality of these stages is documented by findings in villages and cities in the United States, Great Britain, Taiwan, Yucatan, and Turkey. In all these cultures, the same basic moral concepts used in making moral judgments were found — value of life, reciprocity.

P ace Table 1 abouthere

My studies show not that the same basic moral concepts are used in eVery culture but that the stages of their development are the same Furthermore, t-la experimental *7nrk has demonstrated that children Move through these stages one at a ime and always in the same order . velopmental change means forward movement in the equence without skipping steps. Moral reasoning of the conventional (Stages 3-4) type never occurs before the preconventional (Stages 1-2) thought has taken place. No adult in Stage 4 has gone through Stage 6, but all Stage 6 adults have gone at least through Stage 4. The cross-culturally moral trends and these stages are presented in Figure 1. They are universal human modes or principles of moral thInkIng that progress through an invariant order. In addition, there are differences in more specific moral beliefs that are culturally or individually determined and a e therefore, relative in content. Differences that can be seen in the basic structure of moral thinking are differences in maturity or development. Accordingly, the teacher may take the stimulation of moral development as the aim of moral education. Such stimulati n of development is not indoctrination; rather, it is the facilitation of the hild’s development through a sequence that is a natural progression for him. We can then operationalize Dewey’s statement that the aim of educative pro ess can be equated with development intellectual and moral. Can we operationalize Dewey’s statement that educational process is not Instruction, it is supplying the conditions for development? What I have said implies that we should move from developmental research to moral education practice. Practical work started with a Chicago thesis by Moshe Blatt who ran classroom discussions of moral dilemmas in junior high and high -chool classes, black and white, lower class and middle elass. The discussions wel2e Socratic, no right answers were preaehed. Insteaa principles were employed.

The first major principle was that exposure to the stage above the child’s own would stimulace development while exposure to the step below would not induce regression. The classes were composed of children at three adjacent stages, a naturally occurring mixture in most classrooms. At first Blatt would pit the bottom two stages against each other. Then when he felt children at the lowest stage had moved up, he would pit the middle stage against the next higher. The second basic principle was the induction of cognitive conflict. The trouble with conventional mor 1 education is it preaches the obvious cultural cliches. Our procedure was to throw these cliches in conflict, to pose situations where there was no ready answer, when there was violent disagreement. Only by sensing the inadequacy and conflIct of his own current stage of thought is the student impelled to reorgani e at the nest level. Blatt’s results were qufte clear-cut. About one-quarter of the students moved up one staae, another quarter showed some but less upward change. These results occurred in all age, race, sex a d class groups. One year later, the experimental subjects retained the average one-third stage advance over their controls- Perhaps of most significance is that room-induced change was developmental, it was almost always to the next stage up. These results have encouraged us to begin more formal preparation and evaluation of moral discussion materials and methods. These range from a film strip series for first and second graders to a manual on use of the new social studies materials in high school from the developmental perspective, to an undergraduate course on moral and political choice. These efforts focus on moral judgment. We are aware, of course, that moral judgment is not moral action. It is however a necessary if not sufficient condition for moral action. A person cannot engage in principled -o al action if he is not aware of principles.

As Joe Hickey reports on Tuesday, a delinquent raised from instrumental egoism to the light of conventional or even post-conventional morality judgment has a certain sense of salvation, he likes thinking of himself as a moral being. But there are still severe problems in changing his behavior and life style. Not the least of these problems is the unjust institution in which he lives, the prison. After all, whether in prison or in schools, the fundamental condition for moral development, for development of the sense of justice, is not _o al discussion but a just society. So Dewey’s demand that education supply the conditions for development means making the schools and prisons just. Since the prisons seem aware of their limitations in this reeard, are currently developing a ju__ community approach to two institutions one in Connecticut, one in Georgia. Peter Scharff will give a progress report on this Quixotic venture Tuesday.

I have tried to document a beginning effort to take Dewey seriously in educational InterventIon.

Now if we can briefly conclude with some general implications about value-relativity and educational psychology research. Most research on learning and development defines its key terma in valueneutral and relativistic fashion, in terms _hich do not imply that learning implies greater cognitive adequacy or worthwhileness. Learning is measured as frequency of re ponse of earning to criterion. Acquisition of a cog_itively arbitrary or errnoeous concept (e.g. , that it is best to put a marble in the hole) is considered to he learning in the same general sense as is acquisition of a capacity for logical inference. There is, in other words, no clear or philosophically justified concept of cognitive adequacy directing the definition and study of learning in most American theory and research.

We quoted the value-free and relativistic approach to moral research in Berkowitz’s definition of morality as the internalization of the standards of the group; a definition which denotes nothing worthwhile. While in a democratic or just society moral internalization may culminate in just action, I, a Nazi society it will culminate in genocide.

Given a “value-free” educational psychology research, there is no way to move from psychological research to the prescription of practice without importing a set of value-assump ions having no relatio psychology itself. When the psychologist moves from value-free r search results to the prescription of practice, he is in the bind of importing values from somewhere. If he Is a relatIvist, his imported values are likely to be biased and arbitrary, i.e., they are likely to be merely his particular values or the values of his particular community. Interventions based on “social relativity,” like the Bereiter and Enoelmann intervention quoted, are no more ethically rational than are the standards of the American public school with which they start.

To rationally intervene the educational psychologist must join in the construction of a rational educational ideology, a set of prescriptions which are grounded on both the methods of science and the methods of rational ethical judgment. The value component of a rational educational ideology does not spring directly from the personal values of the psychologist or from the values of his refe ence group, but from a consideration of educational psychology facts in light of philosophically rational ethical principles.

If I have saved you from ethical relativity, you will have no trouble accepting the idea that rational ethical principles and research fact must be integrated in educational prescription. I wish now to argue hr.-fever that such integration is almost impossible unless it is done at the start of inquiry into educational fact. Given that we need ethical and epistemological principles to make educational prescriptions, these principles must also guide inquiry. There is very little ethically principled advice about education which can be given to teachers on the basis of research facts derived from studies which define morality or cognition in value-free relativi tic fashion.

In contrast to value-free research approaches, the approach suggested by Dewey and Piaget is the developmental philosophic strategy for relating the study of human development to educational aims. This solution imports philosophic considerations of value or adequacy at the very sta t of the study of development and learning. Piaget starts with epistemological and logical criteria of the adequacy of thought. Because these philosophic criteria are involved in Piaget’s initi l conceptualization of what cognitive development la, his research has direct implications for educational conceptions of what cognitive development ouAht to be.

My own work in morality has been based on the same developm _talphilosophic assumptions. my work, using the deve1onmental7ohiloaophic strategy attempts to avoid the naturalistic fallacy of directly deriving judgments of fact and j dgments about the facts of development from notions of evaluative adequacy, it however also assumes that the two may be systematically related. It takes as a hypothesis for empirical confirmation or refutatIon that development is a movement toward greater moral adequacy (hypothesis about fact derived from reflecti e valueanalysis) and it takes as a hypothe is that an empirical sequence of development may reflect a philosophically justifi d order of adequacy (hypothesis about reflective or philosophic statements of adequacy derived from factual findings). As an example, John Rawls (1971) has developed a quite definitive argument for why what we term Stage 6 is a more adequate conception of justice than is Stage 5 4, etc.)

What we term the developmental-philosophic strategy for relating the psychology of development to philosophy is Dewey’s strategy for relating the child to the cu rieulum. The relation of the child to the curriculum is the relation of developmental psychology to logic or philosophy. Of it Dewey says:

It may be of use to distinguish and to relate to each other2the logical and the psychological aspects of experience the former standing for subject-matter in itself, the latter for it in relation to the child. A psychological statement of experience follows its actual growth; it is historic; it notes steps actually taken. The logical point of view, on the other hand, assumes that the development has reached a certain positive stage of ful- fillment. It neglects the process and considers the outcome. It summarizes and arranges, and thus separates the achieved results from the actual steps by which they were forthcoming in the first instance. Ile may compare the difference between the logical and the psychological to the difference between the notes which an explorer makes in a new country, blazing a trail and finding his way along as best he may, and the finished map that is constructed after the country has been thoroughly explored. The two are mutually dependent.

Our review suggests the logical and empirical bankruptcy of the aims of traditional education, a e of the behavior technology, compensatory education, tests and measurements and mental-health approaches which educational p ychology has developed to support these aims. The current efforts to define a new kind of education go largely under the f open education, heralded as “How the schools should be changed” by Silberman (1970). As Silberman notes, much of the ideology of open education rests upon the thought of Piaget _nd is in that sense the same developmental ideollgy that lay behind Dewey’s progressive education. Indeed Dewey’s 1900 Chicago Laboratory School looked much like British infant schools today. The weakness of open education, whether in the United States or Britain, is that it has no clear positive definition of its aims. As the t rms “open education” or “informal education” indic t_, it is an ideology defining the means of education, not its ends. Its successes are rec7istered in the fact that children are more happy, .nvolved, or interested in a good open classroom than in traditional classroom. The child’s enjoyment and interest i_ a basic a d legitimate criterion of education if stripped of its mental health pretensions but it is a humanitarian criterion, not an educational criterion. Education or worthwhile learning and development meet humanitarian criteria, i.e. , they argue that a concern for the enjoyment and/or the liberty of the child is equivale:t to a concern for his development. In con ast the progressive ideology distinguishes the t o holding that the humanitarian criteria are a necessary but not sufficient condition for meeting developmental criteria. On the psychological side the distinction between humanitarian and developmental cricerla is the distinction between the value of the child’s immediate exper ence and the value of that experience ab it enters into development. Some f rms of romantic or “humanistic” psychology often claim not only that emotional aspects of education are important components of the educational process, but that s ontaneous emotional experience and expression are educational goods or aims in themselves. In contrast, while Dewey believes in educati n as experience, the test of the worth of present experience is “that they live fruitfully and creatively in subsequent experiences,” i that the experiences lead to _later development.

Some experiences are miseducative. Any experience is miseducative that is the effect of arresting or distorting the growth of further experience. An experience may be immediately enjoyable and yet promote the formation of a slack and careless attitude which operates to modify the quality f subsequent experiences so as to prevent a person from getting out of them what they have to give. Just as no man lives or dies to himself, so no experience lives or dies to itself. Wholly independent of desire or intent, every experience lives on in further experiences. Hence the central problem of an education based on experience is to select the kind of present expe-eiences that live fruitfully and creatively in subsequent experience.” (Dewey, 1938).

According to Dewey, an educational experience which stimu _tes development is one whieL mr.-mses interest, enjoyment and challenge in the immediate experience of the studel., The reverse is not necessarily exactly the ease, however, immediate interest a_, enjoyment does not always indicate that the educational experience is stil” -tine longrange development. Interest and involvement is a necessary, L ,not a sufficient, condition for education as development. For humanistic psychology ha g a novel, intens and complex experience is selfdevelopment or se2f-actualization. For the progressive, a more objective test cf the effeek of the experience upon later experience and behavior is required before deciding that the experience is developmental.

Paradoxically, both the romantic and the cultural transmission ideologies have focused upon observing educational objectives in terms of changes which are immediate in time. A characteristic behaviorist strategy is to demonstrate the reversibility of learning, an experiment in which a preschooler is reinforced for socializing rather than withdrawing in a corner is followed by a rever al of the experiment demonstrating that when the reinforcement is removed, the child again becomes withdrawn. From the progressive or cognitive-devel pmental perspective, insofar as behavior changes are of this reversible character, they cannot define genuine educational objectives. Central to the progressive approach then is the longitudinal perspective, the perspective that the worth of an educational effect is to be determined by its effects upon later behavIor and development. In the passage quoted e lier Dewey says, “the central problem of an education based on experience is to select the kind of present experiences that lie fruitfully and creatively subsequent experience ” This central problem, then, is a problem to be settled by empirical longitudinal research.

The basic problems of educational ends and evaluation, then, can only be solved by longitudinal studies of the effects of educational experience as these relate first to the natural lines of human development and second to a reflective or philosophic appraisal of the meaning and worth of the various lines of development. Such an undertaking is a new, large, lengthy and difficult task for educational psychology. Can it settle ior less?

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PUB DATE 7 Sep 71 NOTE 32p.; Address to American Psychological Association, Division of Educational Psychology, Washington (September 7, 1971)

EDRS PRICE KF-$0.65 HC-$3.29

DESCRIPTORS Academic Achievement; Behavior Change; Beliefs; *Cognitive Processes; Cross Cultural Studies; *Developmental Psychology; *Early Childhood Education; Educational Objectives; *Educational Philosophy; *Ethical Instruction; Individual Development; Social Influences; Values IDENTIFIERS *Dewey (John)

IDENTIFIERS *Dewey (John)

ELIANE PINHEIRO FERNANDES

Venho me tornando repetitiva. E volta e meia me sinto provocada a reafirmar o que penso ser o papel da escola e o compromisso dos docentes. Então vamos a outro desabafo, o mesmo de sempre:

Um lance que me incomoda demais entre o discurso e a postura de muitos professores e professoras de esquerda: a compreensão (ou boa desculpa) de que ensinar conteúdo e que educação bancária sejam equivalentes. Nem a pedagogia freireana, nem a pedagogia crítica de Saviani, nem Vigotski, nem a velha URSS afirmaram q professor de esquerda não tem q ensinar conteúdo; que, enquanto o sistema não muda temos licença para a falta de compromisso.
A gente discute a descolonização, não o direito de não ensinar; o educar de forma critica, as possibilidades de ampliar o repertório das crianças e jovens com quem caminhamos “em comunhão”, se com eles nos identificamos.
De repente nossa luta legítima por menos alunos por sala, melhores salários e um currículo pra diversidade deixa de ser briga por qualidade real e passa a isentar certos docentes de esquerda de planejarem aula, de terem clareza do que pretendem ensinar, de jamais pedirem ajuda sobre como ensinar melhor, de se oferecerem para partilhar com os colegas algo novo que aprenderam com a prática, de dizerem de uma teoria que descobriram ou superaram, de debruçarem-se sobre a tarefa de ensinar.
Um sem número de laisse faire se diz progressista. Mas são só convenientemente indiferentes com a educação dos filhos da classe trabalhadora a quem atendem. Com discurso de libertação, cooperam com a marginalizão e manutenção da exclusão.
Talvez alguém se constranja em desvelar nossas contradições enquanto docentes de opção pela esquerda. Meus constrangimentos são outros. Bem outros.

O CORPO DOCENTE E A PESQUISA

Publicado: 02/06/2016 em Reflexões

JEAN PIAGET (1965)

   Poder-se-ia citar, a partir de 1935 até 1965, em quase todas as disciplinas designadas pelos termos ciências naturais, sociais ou humanas, os nomes de grandes autores, possuidores de reputação mundial, que mais ou menos profundamente renovaram os ramos do saber a que se consagraram. Durante o mesmo período, entretanto, nenhum grande pedagogo apareceu na lista dos homens eminentes que marcaram a história da pedagogia. Isto levanta um problema. Os termos desse problema não são, por sua vez, específicos do período em causa. A primeira constatação que se impõe quando se percorre os índices das histórias da pedagogia, é o número proporcionalmente considerável dos inovadores em pedagogia que não eram educadores profissionais. COMENIUS criou e dirigiu escolas, mas era teólogo e filósofo de formação. ROUSSEAU não dava aulas e, se teve filhos, sabe-se que pouco se ocupou deles. FROEBEL, criador dos jardins de infância e defensor de uma educação sensorial (aliás, bem insuficiente), era químico e filósofo. HERBART era psicólogo e filósofo. Entre os contemporâneos, DEWEY era filósofo, Madame MONTESSORI, DECROLY, CLAPARÈDE eram médicos, e os dois últimos também psicólogos. O mais ilustre, talvez, dos pedagogos que não era senão educador (por sinal, muito moderno), isto é, PESTALOZZI, na realidade não inventou métodos ou processos novos, a não ser o emprego da ardósia e assim, mesmo por razões de economia…

   Um dos acontecimentos pedagógicos importantes ocorridos entre os anos de 1934 e 1965 é o projeto francês de reformas que deu lugar aos “círculos de orientação” e de “observação”. Surgiu dos trabalhos de uma comissão dirigida e inspirada por um físico e um médico psicólogo: LANGEVIN e WALLON.

  Sem dúvida, o mesmo ocorre em outras disciplinas: certas inspirações fundamentais podem ser devidas a homens que não pertenciam à “profissão”. Ninguém desconhece o que a medicina deve a PASTEUR, que não era médico. Mas a grosso modo a medicina é obra de médicos, as ciências de engenharia são obras de engenheiros etc. Por que, então, a pedagogia só em ínfima parte é obra de pedagogos? Eis um problema grave e sempre atual. A ausência ou a carência de pesquisas sobre os resultados do ensino, sobre que acabamos de insistir, não passa de um dos aspectos do problema. O problema geral consiste em compreender a razão por que a imensa corte de educadores, que trabalham no mundo inteiro com tanta dedicação e, na maioria dos casos, competência, não foi capaz de produzir uma elite de pesquisadores que fizessem da pedagogia uma disciplina, ao mesmo tempo científica e viva, como ocorre com todas as disciplinas aplicadas que participam simultaneamente da arte e da ciência. Estará a razão na natureza da própria pedagogia, visto que suas lacunas são provenientes da impossibilidade de encontrar um equilíbrio estável entre os dados científicos e as aplicações sociais? É o que procuraremos saber mais adiante, à luz da renovação dos problemas entre os anos de 1935 e 1965. Mas responderemos pela negativa. E antes de examinar as questões teóricas, é indispensável conhecer de início a parte dos fatores sociológicos, visto que, tanto aqui como noutros casos, uma ciência só se desenvolve em função das necessidades e das incitações do meio social. Pois, no nosso caso particular, se carece dessas incitações e o meio nem sempre é muito propício.

   Um fenômeno cuja gravidade não se pode evitar e que cada vez mais se configura de modo nítido no curso dos últimos anos é o da dificuldade de recrutamento de mestres primários e secundários. A 16ª Conferência Internacional de Instrução Pública realizada em 1963, colocou em pauta o problema da “luta contra a carência de mestres primários” e logo se constatou a generalidade do problema. Como se sabe, trata-se inicialmente de um problema econômico, e se se pudesse oferecer aos mestres o tratamento que recebem o representante das outras carreiras liberais, então assistiríamos à aceleração do recrutamento. Mas o problema é bem mais amplo e liga-se, de fato, à posição do educador no conjunto da vida social. Eis porque este problema se junta ao nosso problema central da pesquisa em pedagogia.

   A verdade é que a profissão de educador, nas nossas sociedades, não atingiu ainda o status normal a que tem direito na escala dos valores intelectuais. Um advogado, ainda quando não dotado de talento excepcional, deve a consideração que possui a uma disciplina respeitada e respeitável, o direito, cujo prestígio corresponde a quadros universitários bem definidos. Um médico, mesmo quando não cura sempre, representa uma ciência consagrada, longa e difícil de adquirir. Um engenheiro representa, tal e qual o médico, uma ciência e uma técnica. Um professor universitário representa a ciência que ensina e se esforça para fazê-la progredir. Entretanto, ao docente escolar falta um prestígio intelectual equivalente, e isto devido ao concurso extraordinário e muito inquietante das circunstâncias.

   A razão geral de tal estado de coisas está naturalmente em que o docente escolar não chega a ser considerado pelos outros – e, o que é pior, nem por ele mesmo – como um especialista, quer do ponto de vista das técnicas, quer do da criação científica. Apenas aparece como um simples transmissor de um saber ao nível de cada um. Em outras palavras, conta-se que um bom docente contribua com o que dele se espera, porquanto possui uma cultura geral elementar e algumas receitas aprendidas, que lhe permitem inculcá-la na mente dos alunos. Assim, esquece-se simplesmente que o ensino em todas as suas formas abarca três problemas centrais, cuja solução está longe de ser alcançada e dos quais se pode indagar como serão resolvidos senão com a colaboração dos mestres ou de uma parte deles:

  1. Qual o objetivo desse ensino? Acumular conhecimentos úteis? (Mas em que sentido são úteis?) Aprender a aprender? Aprender a inovar, a produzir o novo em qualquer campo tanto quanto no saber? Aprender a controlar, a verificar ou simplesmente a repetir? Etc.
  2. Escolhidos esses objetivos (por quem ou com o consentimento de quem?), resta ainda determinar quais são os ramos (ou o detalhe dos ramos) necessários, indiferentes ou contraindicados para atingi-los: os da cultura, os do raciocínio e sobretudo (o que não consta de um grande número de programas) os ramos da experimentação, formadores de um espírito de descoberta e de controle ativo?
  3. Escolhidos os ramos, resta afinal conhecer suficientemente as leis do desenvolvimento mental para encontrar os métodos mais adequados ao tipo de formação educativa desejada.

  Voltaremos, naturalmente, a cada um desses problemas, cuja posição se modificou sensivelmente a partir de 1935, mas a questão atual é a da situação do corpo docente com relação à pesquisa e aos obstáculos sociais que impedem os mestres de dedicarem-se à pesquisa de conhecimentos elementares.

   O primeiro desses obstáculos é que, ignorando-se a complexidade dos problemas, o público não sabe (e o público acaba por englobar certas autoridades escolares e um número apreciável de mestres) que a pedagogia é, entre outras, uma ciência, e das mais difíceis, devido à complexidade dos fatores em jogo. Embora a medicina aplique a biologia e a fisiologia geral aos problemas da cura das doenças, ela não hesita sobre os objetivos a atingir e utiliza as ciências já avançadas, colaborando ela mesma na edificação das disciplinas intermediárias (fisiologia humana, patologia, farmacodinâmica etc. ). Quando a pedagogia procura aplicar os dados da psicologia e da sociologia, encontra-se, ao contrário, em presença de questões enredadas tanto de fins como de meios, nada recebendo das ciências-mãe a não ser modestos socorros, em virtude da falta de progresso suficiente dessas disciplinas, não constituindo sequer um corpo de conhecimentos específicos (uma psicologia pedagógica que não seja simples psicologia infantil aplicada dedutivamente, uma didática experimental etc. ).

   Em segundo lugar, o docente escolar deve limitar-se a um programa e aplicar os métodos que lhe são ditados pelo Estado (com exceção de certos países como, em princípio, a Grã-Bretanha), ao passo que o médico, por exemplo, depende muito mais da sua Faculdade e da sua Ordem profissional do que do Ministério da Higiene ou da Saúde Pública. Não resta dúvida que os ministérios de educação são, sobretudo, constituídos por educadores, mas que apenas administram, não lhes restando tempo para se consagrarem à pesquisa. É notório que freqüentemente os ministérios tomam a precaução de fundar e consultar os Institutos de Pesquisas (como as Academias Pedagógicas dos países do Leste, com seus numerosos laboratórios, que a elas apenas pertencem), finas mesmo assim a autonomia intelectual específica do corpo docente permanece, em todos os casos, extremamente reduzida, se comparada com a das demais profissões liberais.

   Em terceiro lugar, se se comparam as sociedades pedagógicas com as sociedades médicas ou jurídicas, com as sociedades de engenheiros ou de arquitetos etc. – isto é, a essas diversas sociedades profissionais onde os representantes de uma mesma disciplina, “aplicada” em oposição às ciências consideradas puras, se dedicam a estudos em comum e troca das suas descobertas – não se pode evitar o choque da falta habitual de dinamismo científico dessas corporações de educadores freqüentemente especializadas na discussão de problemas exclusivamente sindicais. Em quarto lugar – e aí está, sem dúvida, o essencial -, há ainda numerosos países onde a preparação de mestres não tem qualquer relação com as faculdades universitárias: só os mestres secundários se formam na universidade, e apenas no que se refere às matérias a ensinar, sendo a preparação pedagógica nula ou reduzida a um minimum, enquanto os mestres primários são, em parte, preparados nas Escolas Normais, sem vinculação direta com a pesquisa universitária. Voltaremos às mudanças de idéias e de instituições a propósito dos últimos trinta anos. Aqui importa notar quanto o regime tradicional tem sido funesto à pesquisa pedagógica, deixando que os futuros mestres secundários ignorem suas possibilidades (podendo a pesquisa ser tão fecunda, entre outros, no campo do ensino matemático, físico e lingüístico) e contribuindo, deste modo, para fazer do corpo docente primário uma espécie de classe intelectual voltada para si mesma e privada das valorações sociais a que tem direito, separando-a das correntes científicas e da atmosfera de trabalho experimental que a levaria a vivificar-se ao contato com o ensino universitário.

OS INSTITUTOS DE PESQUISA

   De início, procurou-se o remédio para as diferentes situações que acabamos de descrever (e nisto havia certa razão) na criação de institutos de pesquisa pedagógica, que se multiplicaram no decorrer dos últimos anos. O movimento tornou-se, na verdade, amplo, permitindo que o Bureau Internacional de Educação pudesse realizar uma enquête comparativa sobre o assunto e a colocasse em discussão numa das conferências internacionais dedicadas à instrução pública.

   Pode-se distinguir três grandes tipos desses institutos: as academias de ciências pedagógicas, que aparecem com destaque nas repúblicas populares do Leste europeu, os institutos de ciências da educação ou departamentos de educação anexos às universidades sob a forma de faculdades, departamentos ou institutos interfaculdades, e os centros, oficiais ou não, de pesquisas independentes das academias e universidades (museus pedagógicos etc.).

   As academias pedagógicas constituem um modelo de organização de pesquisas largamente financiadas pelo Estado e com autonomia suficiente dos pesquisadores nos pormenores dos seus trabalhos (apenas sendo obrigados a apresentar os planos de pesquisas para um período de vários anos, o que com freqüência revela um aspecto algo artificial, quando se pensa nos imprevistos da pesquisa). Nelas é considerável o número de psicólogos infantis que dispõe, cada um deles, de um laboratório e de assistentes, o que leva a uma colaboração bastante estreita no detalhe dos problemas pedagógicos. A título de exemplo, vimos em Moscou os resultados de pesquisas que consistiam em tomar as medidas perceptivas (constantes etc.) nas situações de atividades e de jogo para compará-las com as medidas procedentes de outros contextos, objetivando demonstrar os efeitos da ação e dos interesses sobre a própria percepção. A escolha de um tal assunto testemunha ao mesmo tempo um cuidado de vinculação com os problemas gerais importantes para a pedagogia e uma certa independência relacionada às aplicações imediatas que limitariam o campo das investigações. Mas acontece que um número ponderável de outras pesquisas incidem sobre o próprio detalhe dos problemas do ensino, estando os educadores ao corrente dos resultados obtidos. Os interessados manifestam-se, em geral, satisfeitos com uma tal organização, sendo que os ajustamentos desejados se limitam a dois principais: coordenação entre os trabalhos das academias e universidades, e coordenação entre a prática da pesquisa e a própria formação dos docentes, que permanece confiada aos institutos pedagógicos distintos dos centros de investigações.

   O segundo tipo de institutos de pesquisa é o das universidades, onde os professores encarregados de ensinar os diferentes ramos da pedagogia são obrigados, como em todos os domínios, a organização as pesquisas e a dar os cursos. Algumas universidades, numa tendência que se vem ampliando há já alguns anos, criaram as “Faculdades de Pedagogia” ao lado das de Letras, de Ciências ou Ciências Sociais etc. Mas os inconvenientes já bem conhecidos do regime das faculdades (que tende a compartimentar o saber e a impedir os vínculos interdisciplinares, vitais para o desenvolvimento de certos ramos) são ainda mais flagrantes no campo da educação do que nos demais. Os problemas essenciais da pesquisa pedagógica são, de fato, fecundados em sua vinculação com as outras disciplinas, possibilitando aos pesquisadores sair do isolamento ou mesmo curando-os dos seus sentimentos de inferioridade. Assim é que, quando o Instituto J: J. Rousseau foi integrado na Universidade de Genebra (em fins de 1948), recusou-se a se constituir em faculdade, como lhe era proposto, preferindo o sistema de um instituto interfaculdades, que depende da Faculdade das Ciências para o ensino da psicologia (a psicologia experimental continua na Faculdade de Ciências e os ramos da psicologia infantil e psicologia aplicada passaram para o Instituto) e da de Letras para o ensino da pedagogia (a cadeira principal permanece na de Letras e as anexas passaram para o Instituto). Impossível que esta fórmula de institutos interfaculdades traga algum fruto para outras disciplinas e é digno de nota que ela foi adotada na Universidade de Amesterdã para o conjunto da filosofia.

   Outra forma de conexão entre a pesquisa pedagógica e a vida universitária é a que corresponde às organizações anglo-saxônicas, onde a unidade funcional é constituída pelos “Departamentos” mais do que pelas Faculdades. Em tais casos, existe um Departamento de Educação do mesmo nível que o de Psicologia etc., podendo-se citar na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América numerosos Departamentos de Educação muito ativos e que fornecem ótimas pesquisas. Mas os seus membros reclamam, às vezes, de dois inconvenientes. Um deles é a separação introduzida entre a psicologia e a pedagogia. Freqüentemente tal desvantagem é compensada colocando-se a psicologia infantil em pedagogia, ao preço de se separar a psicologia genética da psicologia experimental (o que com freqüência tem sido funesto) sem remediar suficientemente o possível isolamento do Departamento de Educação. Outra desvantagem assinalada discretamente é a possibilidade para os matemáticos, físicos e biólogos etc., que têm tido pouco êxito, em cada um dos seus ramos, em encontrar nos Departamentos de Educação um campo propício para o ensino da didática das matemáticas, da física e da biologia, o que não impulsiona sempre a pesquisa em pedagogia…

   De um modo geral, as diversas fórmulas de relacionamento da pesquisa pedagógica com as universidades têm-se revelado fecundas, sobretudo na medida em que conseguem com êxito in tegrar o corpo docente nas estruturas de nível superior, e isto graças aos diversos modos de preparação dos mestres na própria universidade.

   Quanto aos centros de pesquisas independentes das academias e das universidades, eles podem ter muita atividade. Uns são oficiais (museus pedagógicos etc.) e têm às vezes mais o apoio dos ministérios do que das universidades. Outros, como nos Estados Unidos da América, dependem de fundações privadas, podendo apresentar por isso uma flexibilidade notável, realizando vários “projetos” relacionados com o ensino das ciências desde os graus elementares: sob a influência de diversos. acontecimentos, a que não é estranho o. do Sputnik, chegou-se, por exemplo, a que os físicos de renome se interessassem diretamente pela aquisição de certas vias de pensamento, o que é proveitoso para a pedagogia.

   PEDAGOGIA CIENTÍFICA E DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO.

   Cabe à sociedade fixar os objetivos da educação que ela fornece às gerações ascendentes. Aliás, é o que ela faz sempre de modo soberano, e de duas maneiras. Fixaos inicialmente de uma forma espontânea por meio dos imperativos da linguagem, dos usos, da opinião, da família, das necessidades econômicas etc., isto é, por intermédio das formas múltiplas da ação coletiva através das quais as sociedades se conservam e se transformam, plasmando cada nova geração no molde estático ou imóvel das gerações precedentes. A seguir, fixa-os de maneira reflexiva por meio dos órgãos do Estado ou das instituições particulares, consoante os tipos considerados de educação.

  Mas esta determinação dos objetivos da educação não é fruto do azar. Quando ocorre de modo espontâneo, obedece às leis sociológicas passíveis de análise, e este estudo é de natureza a esclarecer as decisões refletidas das autoridades em matéria de educação. Quanto às próprias decisões, não são, em geral, tomadas a não ser quando se tem em vista informações de todos os gêneros, não apenas políticas, mas econômicas, técnicas, morais, intelectuais etc. Essas informações, via de regra só são recolhidas para as consultas diretas dos interessados. E de fato é indispensável começar por aí quando, por exemplo, se trata de necessidades técnicas e econômicas da sociedade. Neste caso, há interes. se na posse de tais estudos objetivos sobre as relações entre a vida social e a educação por parte dos responsáveis pelas diretrizes a serem dadas aos educadores. Por um lado, não é bastante fixar os objetivos para poder atingi-los, porque ainda resta examinar o problema dos meios, o que se refere mais à psicologia do que à sociologia, embora condicione do mesmo modo a escolha dos objetivos. Assim é que DURKHEIM simplificou um pouco as coisas ao sustentar que o homem sobre o qual incide a educação é um produto da sociedade e não da natureza, embora a natureza não se submeta à sociedade a não ser sob certas condições, e que, ao conhecer estas últimas, esclarece=as em vez de contrariálas com a escolha dos objetivos sociais. Por outro lado, limitando-se apenas aos objetivos, as diversas finalidades desejadas podem ser mais ou menos compatíveis ou contraditórias entre si. Por exemplo, não é evidente que se possa esperar dos indivídùos a formar que sejam, ao mesmo tempo, construtores e ino. vadores em certos campos das atividades sociais, onde se tem necessidade de tais qualidades, e de rigorosos conformistas em outros ramos do saber e da ação. Ou a determinação dos objetivos da educação permanece assunto de opiniões “autorizadas” e de empirismo, ou deve ser o objeto de estudos sistemáticos, o que cada vez mais vem sendo aceito no decurso dos últimos anos.

   Assim é que se desenvolveu uma sociologia da educação que tem negligenciado um pouco os grandes problemas discutidos pelos fundadores desta disciplina – DURKHEIM e DEWEY – mas que se especializou no estudo das estruturas concretas. Pot exemplo: o estudo da classe escolar como grupo tendo sua dinâmica própria (sociometria, comunicação efetiva entre mestres e discípulos etc. ), o estudo do corpo docente como categoria social (recrutamento, estruturas hierárquicas, ideologia etc.) e sobretudo o estudo da população estudantil: a origem social dos alunos segundo os níveis atingidos, os débouchés, os pontos de estrangulamento, a “rendição” (Ia “relève”), a mobilidade social nas perspectivas educativas etc.

  São estes problemas relativos à população estudantil que mais têm chamado a atenção e, na realidade, os mais importantes para julgar os objetivos da instrução. A “economia da educação”  começa a ter grandes desenvolvimentos: estudos dos acordos e das discordâncias entre os sistemas educativos e as necessidades econômicas e “sociais” da coletividade, a natureza e magnitude dos recursos postos à disposição da escola, a produtividade do sistema, as relações entre a orientação da juventude pela escola e a evolução das formas de atividade econômica etc.

  Daí ter o conjunto desses trabalhos um interesse bastante central para a “planificação do ensino”, hoje em vigência em quase todos os países, e que consiste em elaborar projetos para os anos futuros. Na verdade, esta planificação está naturalmente ligada à determinação dos objetivos visados, e é essa determinação que poderá esclarecer em diversos graus a sociologia da educação.

  Diz-se que, mais diretamente, a planificação e a fixação dos objetivos pedagógicos podem encontrar as informações necessárias nos trabalhos de educação comparada, como os que se têm realizado nos Estados Unidos da América (KANDEL e outros), na Grã-Bretanha (LAUWERYs, e outros), e que vêm sendo seguidos no Bureau Internacional de Educação por P. ROSSELLO, apoiando-se nos informes anuais dos ministérios de instrução pública constantes do Annuaire international de l’Education et de l’Instruction. Comparando notadamente as indicações quantificáveis, chega-se a discernir certas tendências segundo os crescimentos e diminuições de um ano para outro ou certas correlações em função da interdependência dos problemas. Mas é preciso compreender que a educação comparada só tem futuro se se subordina inelutavelmente à sociologia, isto é, a um estudo detalhado e sistemático do condicionamento social dos sistemas educativos. E que todo estudo quantitativo, em si infinitamente delicado devido à falta de unidades de medida (donde os métodos “ordinais”, com todas as precauções que podem ser tomadas a seu respeito), só tem significação ao ser subordinado às análises qualitativas, o que conduz aos grandes problemas que se desejaria evitar.

A PEDAGOGIA EXPERIMENTAL OU O ESTUDO DOS PROGRAMAS E DOS MÉTODOS.

   É mais do que evidente que nada se pode dizer de fundamentado sobre o rendimento efetivo nem sobre os múltiplos efeitos imprevistos que os programas e os métodos didáticos im postos pelo Estado ou deixados à iniciativa dos educadores poderiam ter sobre a formação geral dos indivíduos, sem que antes se faça um estudo sistemático que disponha os mais ricos meios de controle já elaborados pela estatística moderna e pelas diversas pesquisas psicossociológicas.

   Há várias décadas se constituiu uma disciplina especializada no estudo de tais problemas: a “pedagogia experimental”. Em uma obra com o duplo título Psychologie de Penfant et pédagogie expérimentale, desde o início do século conhecida do público através de numerosas edições e inúmeras traduções, CLAPARÈDE mostrava que essa pedagogia experimental não é um ramo da psicologia (exceto por integrar no objeto dessa última todas as atividades dos mestres) ; e explicava: a pedagogia experimental só incide, realmente, sobre o desenvolvimento e os resultados dos processos propriamente pedagógicos, o que não significa, como vamos ver, que a psicologia não constitua uma referência necessária. O que queremos dizer é que os problemas colocados são outros e consideram menos os caracteres gerais e espontâneos da criança e de sua inteligência do que sua modificação pelo processo em questão.

   Por exemplo, é um problema de pedagogia experimental decidir se a melhor maneira de aprender a ler consiste em começar pelas letras, passando em seguida às palavras. e finalmente às frases, segundo preceitua o método clássico chamado “analítico”, ou se é melhor proceder na ordem inversa, como recomenda o método “global”. de DECROLY. Só o estudo paciente, metódico, aplicado aos grupos comparáveis de assuntos em tempo igualmente comparável, neutralizando-se tanto quanto se possa os fatores adventícios (valor dos mestres e preferências por um ou outro método etc. ), é capaz de permitir a solução do problema. Exclui-se, assim, a procura de solução baseada em considerações dedutivas a partir de conhecimentos experimentais fornecidos pela psicologia sobre o papel dos “gestalts” na. percepção e sobre o caráter sincrético ou global das percepções infantis. De tais considerações partiu DECROLY para imaginar seu método, o que não quer dizer que constitua uma verificação. Outros estudos, embora ainda incompletos sobre o assunto, conduzem ao ponto de vista de que o método global, de rendimento mais rápido, é prejudicial ao conhecimento posterior da ortografia. Isto não passa de uma constatação ocasional e exige novos controles, bastante delicados. Basta pensar em numerosos adultos que, hesitando entre duas ortografias possíveis, escrevem a palavra em causa das duas- maneiras, fazendo sua escolha de acordo com a figura obtida – o que consiste em reconhecer a boa ortografia segundo uma configuração global. Outras pesquisas lograram mostrar que os resultados obtidos variam segundo os tipos das crianças e sobretudo os tipos de atividades a que se recorreram para nelas associar os exercícios “globais”. O que levou, recentemente, um pedagogo, de Sherbrook, no Canadá, a imaginar um método misto, preferentemente global, mas onde as próprias crianças, em comum, constroem frases pelas combinações possíveis realizadas com as palavras apresentadas por cada um dos ‘membros do grupo. Daí uma nova exigência de pesquisas e controles, levando-se em conta essa terceira possibilidade, que deve ser comparada com as demais. Alguns autores têm ultimamente afirmado que o problema continua a ser mal colocado quando se limita aos fatores perceptivos e mnésicos. Para eles, o verdadeiro problema deve ser situado no nível das significações e do jogo das relações entre os sinais e os significados etc. De tal ponto de vista um conjunto de experiências novas se oferece à pedagogia experimental, de forma alguma excluindo o relacionamento necessário com os fatores perceptivos, visto que, se eles não estão sozinhos em jogo, não devem ser, portanto, negligenciados.

   Este exemplo corriqueiro mostra, inicialmente, a complexidade dos problemas que são colocados à pedagogia experimental quando se quer julgar os métodos segundo critérios objetivos e não apenas segundo as avaliações dos mestres interessados, dos inspetores ou dos pais de alunos. Em seguida, ele mostra que os problemas são, efetivamente, de ordem pedagógica e não puramente de ordem psicológica, visto que a medida de um rendimento escolar obedece a critérios que levam em conta só o educador, mesmo quando os métodos empregados chegam a convergir, em parte, com os do psicólogo. Ao contrário, o problema da colaboração necessária entre a pedagogia experimental e a psicologia da criança ou a independência radical da primeira, tem sido levantado no decorrer dos últimos anos, pelo menos no interior dos círculos pedagógicos de língua francesa.

   O problema não foi colocado nos países anglo-saxônicos nem nas repúblicas populares, onde ocorre que todos os centros de pesquisa dependem das universidades ou das academias pedagógicas, tendo a psicologia experimental necessidade da psicologia na mesma medida em que a medicina, embora baseando-se na biologia ou na fisiologia, com elas não se confunde. R. DOTTRENS, ao contrário, sustentou, diante da Associação de Pedagogia Experimental de Língua Francesa, que ele contribuiu para criar, a tese da” independência completa desta disciplina, e, coisa bastante curiosa, invocou para defender-se textos de CLAPARÉDB que mostram simplesmente a diferença dos problemas, como se toda a obra do fundador do Instituto J. -J . Rousseau não tendesse a assentar a pedagogia em bases psicológicas sólidas. De fato, o problema é muito simples e sua solução só depende das ambições mais ou menos modestas ou amplas da pedagogia experimental. Se esta quer limitar-se, de conformidade com o esquema positivista da ciência, a uma simples pesquisa de fatos e de leis, sem pretender explicar o que ela constata, neste caso não há  nenhuma necessidade de uma vinculação com a psicologia. Constatar-se-á, por exemplo, que em três grupos comparáveis de garotos, o método analítico forneceu ao termo de x meses uma leitura de n palavras na média de 150 minutos, enquanto o método global forneceu n’ palavras, e o de Sherbrook nas palavras, tudo sobre o mesmo texto. Por outro lado, medir-se-á a rapidez dos progressos de mês a mês. Observar-se-á, afinal, que após 2 ou 3 anos os mesmos grupos, tendo seguido os mesmos ensinamentos, fornecem tais ou quais resultados em ortografia. E se se ficar por aí, ao menos será permitida uma escolha entre os métodos em discussão.

   Mas se a pedagogia experimental quer compreender o que ela faz e completar suas averiguações por meio de interpretações causais ou “explicações”, é evidente que precisa recorrer a uma psicologia precisa e não simplesmente àquela do senso comum. Neste caso, ser-lhe-á necessário estar bem informada nos domínios da percepção visual, da percepção das palavras, das letras e das frases, sendo-lhe indispensável conhecer as relações existentes entre a percepção global e as “atividades perceptivas”, as leis da fundação simbólica, as relações entre a percepção das palavras e o simbolismo etc.

  E o exemplo escolhido nada tem de excepcional. Qualquer método didático ou programa de ensino cujas aplicações e cujos resultados sejam analisados pela pedagogia experimental abordam os problemas de psicologia do desenvolvimento, da psicologia do ensino e de psicologia geral da inteligência. Daí resulta que os progressos da pedagogia experimental – enquanto ciência independente quanto ao seu objeto – só podem estar ligados, como em todas as ciências, às pesquisas interdisciplinares, se se trata de construir uma verdadeira ciência. Em outras palavras: que seja explicativa e não apenas descritiva. Aliás, é o que ocorre, essencialmente, nos centros de pesquisas desta nova disciplina. E o que acabamos de dizer apenas enuncia o que já se tornou uma verdade corriqueira no decorrer dos últimos anos.

 

 

PIAGET, Jean. Psicologia e Pedagogia. Trad. LINDOSO, Dirceu Arccioly. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1970, p. 17-32.

ELIANE PINHEIRO FERNANDES

Embora pareçam ser uma coisa só (são culturais e contém elementos da fé católica), nem toda comemoração religiosa é abraçada pela escola.
Há uma peneira que separa o que é importante e inadmissível de “se passar em branco” e o que pode ser ignorado, que não é lúdico, que é desimportante.
Há diferença entre comemoração e comemoração: A que tem a cara do povo, expressa no terreiro e na rua , e a que veio das decisões clericais e é celebrada no templo. A horizontal e a vertical. Uma é sincretismo, a outra, doutrina. Uma é “limpa”, a outra, é macumba, esquisita, exótica. Uma impõe uma verdade, a outra, a comunhão. Uma é consumista e midiática, a outra, folclórica e caricata. Uma é normal, a outra, pertence à categoria saci-maracatu-munguzá.
Daí que entre as comemorações religiosas, a escola seleciona como imprescindível a páscoa e o natal, e nunca o reisado, a festa do Divino, o dia de São Cosme e São Damião .
Começo a pensar que além do delito contra a laicidade da escola também me incomoda a reprodução da estética burguesa: se não o fazem lá, não o faremos cá. Se virar moda lá, reproduziremos cá. É a perseguição aos moldes dos bons colégios católicos das elites e o desprezo ao tambor, ao pé descalço, à saia rodada, à chinela de couro, ao pagode e ao funk.
Quem se civilizar que fique. Quem se encaixar que silencie. Quem for diferente que falte. Quem for minoria que se minimize. A porta da rua é serventia da escola.
Canto de reisado a partir de 4:00: https://youtu.be/igMs585f-wk?t=240

TORNAR-SE MANA

Publicado: 07/02/2016 em feminismo, sororidade

ELIANE PINHEIRO

Ninguém nasce menininha do papai.
Ninguém nasce garota.
Ninguém nasce princesa.
Ninguém nasce pra varrer e lavar enquanto o outro folga no sofá.
Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.
Nenhuma de nós nasceu biologicamente programadas para cuidar, mas pedagogia, psicologia, assistência social e enfermagem ainda são as profissões majoritariamente femininas. Socialmente somos inclinadas às profissões de “maternagem”, aquele estereótipo de que naturalmente temos instinto maternal e de que mães são pacientes, incansavelmente amorosas e perdoadoras.
Não nascemos inseguras com nossos corpos: o patriarcado, para controlar nosso prazer, nos ensinou a odiar nossa barriga, nossa coxa, nosso cabelo e nossa bunda.
Não nascemos achando que as outras meninas são ameaça e que as bonitas e inteligentes são alvo de recalque. Não somos biologicamente programadas para sermos rivais.
Não somos biologicamente programadas para constranger quem amamos a fazer o que queremos que façam por nós – aprendemos que podemos inquirir, cobrar, fazer beicinho, chorar, manipular, exigir, que somos a princesinha da mamãe, que temos o direito de sermos chatas e que os outros têm o dever de nos amparar e compreender.
O feminismo pode libertar não apenas nossas escolhas profissionais (podemos gostar de ser caminhoneiras, cientistas ou donas de casa), pode libertar não apenas nosso corpo e nosso sexo, mas também nossas almas: podemos tentar desconstruir nossas co-dependências emocionais, ousarmos ser mais inteiras, alçar outras liberdades! Não por cagação de regra, mas para doer menos. E isso inclui nossas relações de amizade com outras mulheres.
Há muito anos me incomoda essa coisa de “melhor amiga”. Não me refiro à sorte de encontrarmos alguém nessa vida para dividirmos nossos choros, risos, segredos e a vida. Refiro-me à certa tendência de controlarmos nossas amigas por nos sentirmos ameaçadas por outras mulheres: às vezes somos tentadas à silenciosamente amarrar nossas amigas. Saiu e não me chamou? Rolou encantamento por uma mulher que acabou de conhecer e quer dividir o espacinho justinho de amiga? Tomou uma decisão importante e não me avisou? A melhor amiga sou eu! Fez self com outra amiga? Quem é essa aí, papai? E, ao invés de lugar de acolhimento, a amizade vira prisão.
E aquilo que lutamos para vencer (a dominação subjetiva dos homens sobre nós nos relacionamentos heterossexuais, por meio do ciúmes, do controle, do constrangimento e da chantagem emocional) acabamos por reproduzir.
Homens, deixem as mulheres livres! Não as sujeitem aos seus caprichos, inseguranças e ciúmes!
Moças, façamos o mesmo com nossas amigas!
Dá pra sair pra beber com uma amiga, viajar com outra e escolher uma para ser confidente, para dormir na casa, para ajudar no parto ou no enterro, pra estar lá quando chega mais um na família e quando um da família se vai para sempre, para estar no dia do casamento e da noite fria do divórcio. Dá pra namorar ou casar com uma moça e ter outra como melhor amiga. Dá para ter duas melhores amigas. Dá para ter cinco ou nenhuma. Não somos rivais. Somos manas.
Repensamos a monogamia e podemos escolher o tipo de relação afetiva que podemos ter. Com nossas amigas também pode (ou não) ser diferente. Podemos tudo, aliás. E esse texto não é mais uma regra sobre COMO as mulheres DEVEM se comportar. É apenas um convite à sororidade.

Não estamos numa competição. Não somos donas de outras mulheres. Não as queremos oprimir sutilmente deixando-as angustiadas ou culpadas todas as vezes que elas nos dizem não.
Não somos rivais. Somos manas.